PF deflagra operação sobre financiamento do filme ‘Dark Horse’; Mario Frias e produtora são alvos

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (10/9), a operação ‘Make Up’ com o objetivo de rastrear o financiamento do filme ‘Dark Horse’, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, no entanto, não está relacionada aos repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do longa. A ação policial foca em suspeitas de irregularidades no uso de emendas parlamentares.

Um dos principais alvos da operação é o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atuou como roteirista e produtor-executivo de ‘Dark Horse’. Seu celular foi apreendido pelas autoridades. A investigação levanta suspeitas de que parte de emendas parlamentares destinadas por Frias a entidades ligadas à produção do filme possam ter sido desviadas.

Paralelamente, outra investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) apura repasses milionários de Daniel Vorcaro para o filme, a pedido do senador Flávio Bolsonaro. A operação desta quinta-feira, contudo, corre em sigilo separado e sob a supervisão de outro ministro da corte, conforme apurado pela BBC News Brasil.

Operação ‘Make Up’ mira deputado Mario Frias e produtora de ‘Dark Horse’

A operação ‘Make Up’, autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. O foco principal é o deputado federal Mario Frias, suspeito de ter repassado R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. Esta instituição, gerida pela empresária Karina Ferreira da Gama, também é proprietária da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo filme ‘Dark Horse’.

A sobreposição de funções e negócios entre Frias e Ferreira da Gama levantou a suspeita de que parte dos recursos das emendas parlamentares possa ter sido direcionada para o financiamento da produção cinematográfica. A hipótese consta em uma proposta de fiscalização e controle apresentada pelos deputados federais Dimas Gadelha (PT-RJ) e Pedro Uczai (PT-SC).

A Polícia Federal investiga a existência de uma possível organização criminosa, composta por agentes públicos e privados, que estaria direcionando valores recebidos de emendas para empresas subcontratadas de forma irregular. A investigação aponta que as tentativas de dissimular desvios teriam se estendido até julho deste ano, com movimentações financeiras na ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas investigadas.

Quem é Mario Frias, o deputado federal envolvido na investigação

Mario Frias, conhecido por sua carreira como ator, especialmente na novela ‘Malhação’, ingressou na política em 2020, quando foi nomeado pelo então presidente Jair Bolsonaro para chefiar a Secretaria Especial de Cultura. Ele sucedeu a atriz Regina Duarte no cargo. Sua aproximação com o núcleo bolsonarista se intensificou durante o período em que defendeu a passagem de Duarte por Brasília.

Em 2022, Frias foi eleito deputado federal por São Paulo. Sua atuação na produção e roteiro do filme ‘Dark Horse’, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, o colocou no centro das atenções desta nova investigação da Polícia Federal. A apreensão de seu celular representa um passo significativo na coleta de evidências pela corporação.

O que dizem as investigações sobre o Instituto Conhecer Brasil e a GoUp Entertainment

A investigação da Polícia Federal, no âmbito da operação ‘Make Up’, busca esclarecer o destino de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas pelo deputado Mario Frias ao Instituto Conhecer Brasil. A suspeita central é que parte desses recursos públicos possa ter sido utilizada para custear a produção do filme ‘Dark Horse’.

Karina Ferreira da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, é também proprietária da GoUp Entertainment, a produtora do filme. Essa conexão direta entre a entidade que recebeu as emendas e a empresa responsável pela produção cinematográfica é o ponto de partida para a investigação sobre o possível desvio de verbas.

A PF aponta que as investigações apontam para a existência de uma organização criminosa que utilizava empresas subcontratadas de forma irregular, sem a devida comprovação da prestação de serviços. A movimentação financeira entre as empresas envolvidas no esquema é estimada em centenas de milhões de reais, indicando a complexidade da suposta fraude.

A conexão de ‘Dark Horse’ com outras investigações no STF

É importante ressaltar que o filme ‘Dark Horse’ já é objeto de outra investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Este inquérito, sob a relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses de aproximadamente US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões na cotação da época) feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a obra. Segundo reportagens, esses repasses teriam sido feitos a pedido do senador Flávio Bolsonaro.

Vorcaro, que está preso desde novembro de 2025, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro. A investigação sobre os repasses para ‘Dark Horse’ ganhou novo fôlego com o acordo de delação premiada firmado por Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como principal operador financeiro de Vorcaro. Ele teria detalhado os pagamentos feitos a um fundo nos EUA com ligações a um advogado de Eduardo Bolsonaro.

Apesar de ambos os casos envolverem o filme ‘Dark Horse’, a operação ‘Make Up’ desta quinta-feira se concentra especificamente no uso de emendas parlamentares e não tem relação direta com os repasses de Daniel Vorcaro. A separação das investigações visa a garantir a clareza e a eficiência na apuração de cada suspeita.

O papel do ministro Flávio Dino e a autorização da operação

A operação ‘Make Up’ foi autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, que é o responsável pelo processo que investiga o suposto desvio de emendas parlamentares. Dino atua no caso que apura o uso irregular de verbas públicas que teriam chegado a entidades e empresas ligadas à produtora do filme ‘Dark Horse’.

Recentemente, o nome de ‘Dark Horse’ também surgiu em discussões sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em sua decisão para reconduzir Rodrigues ao cargo, o ministro Flávio Dino citou um pedido do próprio diretor da PF, que argumentou que o afastamento poderia ‘interferir’ nas investigações sobre o filme. Essa menção demonstra a relevância que o caso ‘Dark Horse’ tem adquirido em diferentes esferas do poder.

Posteriormente, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões conflitantes sobre a permanência de Rodrigues no cargo, mantendo-o na função, mas a menção ao filme em decisões ministeriais evidencia o impacto da investigação.

O que pode acontecer após a operação da PF

A deflagração da operação ‘Make Up’ representa um avanço significativo nas investigações sobre o financiamento de ‘Dark Horse’. A apreensão de celulares e documentos, bem como a coleta de depoimentos, poderão fornecer novas evidências sobre a possível irregularidade na destinação de emendas parlamentares.

O deputado Mario Frias e a empresária Karina Ferreira da Gama terão seus papéis analisados com mais profundidade pelas autoridades. Dependendo das provas coletadas, os envolvidos podem responder por crimes como peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A extensão do suposto esquema, que envolve movimentações de centenas de milhões de reais, indica a complexidade do caso.

As investigações em curso no STF, tanto a que envolve as emendas parlamentares quanto a dos repasses de Daniel Vorcaro, tendem a prosseguir de forma independente, mas podem se complementar em determinados aspectos. O desdobramento desses inquéritos poderá trazer novas revelações sobre as relações entre políticos, empresários e a produção cinematográfica que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A importância da investigação para a transparência pública

A investigação sobre o financiamento do filme ‘Dark Horse’ por meio de emendas parlamentares e outros recursos públicos é crucial para garantir a transparência na gestão de verbas públicas. A suspeita de desvio de recursos destinados a projetos sociais para financiar uma produção cinematográfica levanta sérias questões sobre a ética e a legalidade nas relações entre o poder público e o setor privado.

A atuação da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal em casos como este é fundamental para coibir a corrupção e assegurar que o dinheiro público seja utilizado em benefício da sociedade, e não para fins privados ou eleitorais. A clareza nos processos de destinação e execução de emendas parlamentares é um pilar da democracia.

A sociedade aguarda os desdobramentos dessas investigações, que prometem trazer mais luz sobre as complexas engrenagens que podem ter sido utilizadas para desviar recursos públicos. A fiscalização rigorosa e a responsabilização dos envolvidos são essenciais para fortalecer a confiança nas instituições e na aplicação da lei.

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