Requião Filho dispara contra gestão Ratinho Junior e anuncia candidatura ao governo do Paraná
A disputa pelo Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná, ganha contornos de confronto direto com as eleições de outubro se aproximando. Em entrevista exclusiva, o deputado estadual Requião Filho (PDT) se posiciona como um elemento surpresa nas pesquisas eleitorais e promete não poupar críticas durante sua campanha.
No último sábado, ele lançou oficialmente sua pré-candidatura ao governo do Paraná, ao lado da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), que disputará uma vaga no Senado pela mesma chapa. Requião Filho busca construir uma frente partidária ampla, unindo militância de esquerda e centro-esquerda, em um movimento articulado para enfrentar o cenário político paranaense.
Com um discurso incisivo contra as principais bandeiras da gestão Ratinho Junior (PSD), o pré-candidato do PDT ataca o chamado “Custo Paraná”, classificado como um dos maiores do país. Suas propostas incluem a reversão da privatização da Copel e a revisão dos contratos de pedágio. As informações são de entrevista concedida à Tribuna do Paraná.
Disputa pelo Governo do Paraná: Requião Filho se lança como alternativa
A corrida pela cadeira mais importante do Palácio Iguaçu, sede do Governo do Paraná, ganha contornos de confronto direto com as eleições de outubro no radar. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Paraná, o deputado estadual Requião Filho (PDT) posiciona-se como o que classifica como elemento de surpresa nas pesquisas eleitorais e promete não poupar ninguém durante sua campanha.
Neste sábado (30/05), ele lançou oficialmente a pré-candidatura ao governo do Paraná ao lado da ex-ministra Gleisi Hoffman (PT), que será candidata ao Senado pela mesma chapa. Requião Filho se considera um outsider, apesar de esperar que a coligação atinja até nove partidos para enfrentar Sergio Moro (PL), que lidera as intenções de voto.
O parlamentar detalha a costura de uma frente partidária que une a militância de esquerda e centro-esquerda, em um movimento articulado diretamente com as cúpulas em Brasília para contornar o que chama de “fisiologismo e balcão de negócios” da política paranaense.
Críticas ao “Custo Paraná” e propostas de reversão de privatizações
Carregando um sobrenome que se confunde com a própria história recente do estado, o pré-candidato do PDT adota um discurso incisivo contra as principais bandeiras da gestão Ratinho Junior (PSD). Com uma plataforma eleitoral que ataca diretamente o bolso do eleitorado e o setor produtivo, classifica o “Custo Paraná” como um dos maiores do país.
Entre as propostas, Requião Filho tem a promessa de reversão e recompra das ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel) — cuja privatização ele classifica como um escândalo iminente —, a revisão integral dos novos contratos de pedágio nas rodovias paranaenses e a aplicação de alíquota zero de ICMS para micro e pequenas empresas até o final da década.
A entrevista expõe a visão do pedetista para áreas críticas como a segurança pública e o funcionalismo. A pesquisa realizada pelo IRG Pesquisas entre 16 e 20 de maio de 2026, com 1.000 entrevistados, aponta Requião Filho em segundo lugar, com Sergio Moro na liderança.
Requião Filho explica motivações para a candidatura e crescimento nas pesquisas
Questionado sobre os motivos para se candidatar ao governo do Paraná, Requião Filho afirmou que se trata de um “dever e obrigação”. Ele critica a campanha eleitoral atual, que descreve como uma “fogueira de vaidades”, com candidatos indicados pelo atual governador e um senador, Sergio Moro, com um discurso que não trata das necessidades do Paraná, mas sim de ódio e fuga da realidade.
“Ninguém está discutindo o Paraná. Ninguém discutia a geração de emprego, redução de imposto, ninguém discutia a educação, saúde e segurança”, declarou Filho. Ele sentiu a obrigação de apresentar uma candidatura para trazer o debate à tona e percebeu o crescimento de seu nome nas pesquisas, superando os candidatos alinhados ao atual governador e vendo Moro cair nas intenções de voto.
O pré-candidato expressou surpresa com seu desempenho nas pesquisas, dada a dificuldade de acesso à grande mídia. Ele observa que alguns veículos ignoram seu nome ao noticiar resultados de pesquisas onde ele aparece em segundo lugar. “A gente fura a bolha, a gente tá chegando organicamente nas pessoas e isso é muito interessante de ver. É uma candidatura natural, não é imposta”, comentou.
Construção de alianças e a promessa de não negociar cargos
Para viabilizar sua candidatura com força e fôlego para um eventual segundo turno, Requião Filho tem buscado construir uma rede de apoio com diversos partidos. Ele afirma conversar com legendas de centro, esquerda e centro-direita, excluindo apenas extremistas. O objetivo é discutir o Paraná e focar no cidadão (CPF), em detrimento dos interesses empresariais (CNPJ).
Atualmente, já conta com seis partidos na aliança, com possibilidade de chegar a nove. Essa coligação traria tempo de TV e espaço, além de uma base de pré-candidatos para somar à campanha. Filho destaca que, por ser um candidato outsider, a construção das alianças se baseia em interesses e programa, e não em troca de favores e cargos.
Em resposta à desconfiança sobre a ausência de negociação de cargos, Requião Filho reafirmou que não há acordo do tipo “se você me apoiar, ganha uma secretaria”. Ele mencionou que o PT apoiou sua candidatura por acreditar que sua proposta se assemelhava à deles. A aliança inclui partidos como Rede, PSOL, Solidariedade e PV. Conversas também estão em andamento com o PSB nacional.
Superando o “fisiologismo” paranaense com articulação nacional
O grande desafio na formação dessas alianças no Paraná, segundo Requião Filho, tem sido romper com os acordos locais que envolvem cargos, salários e indicações. Para contornar essa dificuldade, algumas conversas e coligações são feitas via Brasília, em cima da conjuntura política nacional.
Ele critica a prática de “compra de partidos” através de cargos e indicações por parte daqueles que já estão no poder. Requião Filho argumenta que essa negociação “de cima para baixo” não cria uma realidade fictícia, pois, enquanto as cúpulas partidárias negociam cargos executivos, a militância de base frequentemente apoia sua candidatura.
“A militância vem conosco. Nossa dificuldade são aqueles ‘cabecinhas’ que se acham donos de uma sigla”, explicou. Ele enfatiza que sua base de apoio é composta por pessoas que acreditam na educação pública, no respeito ao policial, no investimento em saúde pública e na regionalização da saúde.
Identidade política: “Sou brasileiro, um democrata”
Questionado sobre sua posição no espectro político, após sair do PT e se filiar ao PDT, Requião Filho declarou ser “brasileiro” e que seu lado é “o lado do povo brasileiro”. Ele se posicionou contra a privatização de empresas como Copel e Sanepar, contra o pedágio e defende que o servidor público deve ser bem remunerado e capacitado.
Rejeitou o conceito de “Estado mínimo”, chamando-o de discurso de “cretinos” que o desejam apenas para os outros. Criticou a meritocracia como um mito que perpetua a desigualdade social. “90% dos filhos de pobre continuam pobres, e 90% dos filhos de rico continuam ricos. Isso não é meritocracia. Isso é uma imposição social que nós vivemos no Brasil”, afirmou.
Reconhecendo que o termo “patriota” foi sequestrado por grupos extremistas, ele se define como um democrata que deseja o Brasil de volta aos brasileiros e o Paraná nas mãos dos paranaenses, garantindo o direito de escolha a cada quatro anos.
Privatização da Copel: Requião Filho promete reversão e recompra de ações
Requião Filho avalia que a venda da Copel será revertida devido a supostos escândalos que permeiam o negócio. Ele mencionou o envolvimento do BTG e do Banco Master, ligados ao empresário Nelson Tanure. Caso as investigações avancem, ele acredita que a venda será anulada, assim como a da Copel Telecom.
“Se o Ministério Público e a Polícia Federal não fizerem sua parte, eu, como governador, pretendo recuperar as ações da Copel”, declarou. Ele não deseja transformar a Copel em estatal novamente, mas sim recomprar suas ações para que a empresa volte a oferecer energia barata, atrair indústria, gerar empregos e melhorar os salários, além de diminuir o custo para as famílias paranaenses.
Ele criticou a atual gestão da Copel, afirmando que a empresa, antes uma das melhores do Brasil com tarifas baixas e lucro, hoje é a 27ª pior e prejudica o agronegócio, a indústria e as famílias. A energia cara, segundo ele, drena a economia local, contribuindo para que o Paraná seja o segundo estado com o maior custo de vida do Brasil.
Propostas para energia, educação e a crítica aos incentivos fiscais
Sobre a matriz energética, Requião Filho defende a exploração do potencial hidrelétrico do Paraná e o investimento em energia solar, criticando a energia eólica como um “trambolho”. Ele propõe o desenvolvimento de tecnologias alternativas em parceria com universidades e institutos de pesquisa.
Na educação, critica o modelo das escolas cívico-militares como uma “boa ideia, mas pessimamente executada”. Defende o retorno de programas como plano de carreira e formação continuada para professores, além de investimento em infraestrutura e merenda. Ele acredita que a educação deixou de ser investimento e passou a ser gasto desde a gestão anterior.
Em relação aos incentivos fiscais, Requião Filho acusa o governo de Ratinho Junior de abrir mão de R$ 22 bilhões para “amigos do rei”, com 25% do orçamento estadual sendo direcionado a empresas que contrataram parentes e apoiadores do governador. Ele sugere um pente-fino nesses contratos para diminuir esse valor pela metade, liberando R$ 10 bilhões para investimentos em educação, segurança e saúde.
Revisão dos pedágios e críticas à gestão atual
Requião Filho criticou os novos contratos de pedágio implementados sob a gestão de Ratinho Junior, chamando-os de “pessimos contratos”, com pouca garantia para o usuário e muitas para as concessionárias. Ele questionou a falta de obras e o aumento dos valores, mesmo após acordos que perdoaram dívidas das empresas.
Ele lembrou que sua família entrou com dezenas de ações contra o pedágio, mas o Ministério Público e o Judiciário paranaense consideravam a questão privada e sem sobrepreço. Requião Filho defende a fiscalização rigorosa e a cobrança da sociedade civil organizada para reverter essa situação.
Ao analisar o governo atual, Requião Filho afirma que o Paraná evoluiu apesar do governo, citando a resiliência do agronegócio e da pequena indústria. Ele elogia programas como o “Ganhando o Mundo Paraná” e a defesa de nascentes, mas critica a propaganda ostensiva do governo e a execução equivocada de projetos como as escolas cívico-militares.
A Assembleia Legislativa e a promessa de um governo colaborativo
Sobre a relação com a Assembleia Legislativa, Requião Filho acredita que haverá uma renovação, mas alerta para o fisiologismo que, segundo ele, toma conta da casa devido a um governo fisiologista. Ele espera que, com um governo que não compre votos com favores, cargos e indicações, os deputados voltem a pensar no bem do paranaense.
“Se eu mando um projeto para cá, ele pode não ser perfeito, e ter 54 cabeças pensando nele e sugerindo coisas, apontando eventuais erros, é ótimo”, disse, defendendo o debate e a colaboração entre os poderes.
Reiterando sua promessa de não trocar cargos por apoio político, Requião Filho explicou que a construção de um governo se baseia em conjuntura política e objetivos alinhados, não em favores. Ele mencionou que seu pai, Roberto Requião, teve secretários de oposição em seu governo. O objetivo é formar um grupo que trabalhe em consonância, com amor e vontade de realizar um projeto em que acreditam.
Reação do Governo Ratinho Junior às acusações
Em resposta às declarações de Requião Filho, a assessoria de imprensa do governador Ratinho Junior emitiu uma nota afirmando que o entrevistado demonstra “desinformação”. A nota defende que o programa de benefícios fiscais existe desde os anos 90 e é utilizado pelos estados para atrair investimentos, incluindo protocolos assinados pelo governador Roberto Requião.
A assessoria esclarece que o aumento no valor total da renúncia fiscal nos últimos anos deve-se a uma mudança metodológica para garantir transparência, com a Secretaria da Fazenda apresentando a totalidade das renúncias. A maior parte dessas renúncias, segundo o governo, está concentrada no apoio ao Simples Nacional e na desoneração da cesta básica, além de novos incentivos com apelo social.
O Governo do Paraná também destacou a implementação do maior programa de compliance do Brasil e refuta qualquer sugestão de favorecimento. A gestão atual alega que os incentivos fiscais concedidos têm forte apelo social e que o governo refuta qualquer sugestão de favorecimento.