Candidato Requião Filho aponta integração e investimento como pilares para segurança pública no Paraná

O candidato ao governo do Paraná pelo PDT, Requião Filho, destacou a importância da integração entre as esferas estadual e federal para o fortalecimento da segurança pública no estado. Durante uma sabatina realizada na noite desta quarta-feira (26), promovida pela plataforma multimídia TMC Paraná, o deputado estadual enfatizou a necessidade de compartilhar informações com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, além de colaborar com as Forças Armadas em virtude da extensa fronteira paranaense.

A sabatina ocorreu após a desistência dos candidatos Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD), conforme o regulamento do evento. Requião Filho aproveitou o espaço para criticar a atual gestão estadual na área da segurança, apontando deficiências no tratamento dos agentes e a necessidade de investimentos concretos em inteligência e capacitação.

Além da segurança, o candidato reiterou sua posição contrária à privatização da Copel, defendendo a reestatização da companhia e a auditoria do processo de venda. Ele também comentou sobre os rumos da Celepar e Sanepar sob sua eventual gestão, conforme informações divulgadas pela TMC Paraná.

Integração federal e estadual para uma segurança pública mais eficaz

Requião Filho argumentou que a colaboração com o governo federal é um ponto crucial para a eficácia das ações de segurança pública no Paraná. “Trabalhar com o governo federal é essencial, porque nós temos que compartilhar informações com a PF e a PRF”, afirmou, ressaltando a importância estratégica do estado como porta de entrada e saída de mercadorias e pessoas.

O candidato detalhou que, em um estado com fronteiras extensas como o Paraná, a cooperação com o Exército, Marinha e Aeronáutica se torna indispensável para garantir a proteção territorial. “O Paraná, que é um estado com fronteiras, precisa compartilhar informações com o Exército, Marinha e Aeronáutica, para que a gente possa proteger inclusive a fronteira nacional”, pontuou.

Essa visão integrada visa combater de forma mais eficiente crimes transfronteiriços, como o tráfico de drogas, armas e contrabando, além de fortalecer o combate ao crime organizado em geral. A troca de inteligência e recursos entre diferentes órgãos de segurança é vista como um diferencial para otimizar os resultados e a utilização dos recursos públicos.

Críticas à gestão atual e propostas para os agentes de segurança

O deputado estadual não poupou críticas às condições de trabalho oferecidas aos agentes de segurança pública no Paraná sob a administração atual. Segundo ele, a polícia está “doente, sobrecarregada” e com remuneração defasada.

“A polícia está doente, sobrecarregada, recebe mal porque o governador não corrigiu o salário deles com a perda inflacionária e trabalha 60 horas por semana”, disse Requião Filho, denunciando uma carga horária excessiva e a falta de reconhecimento financeiro dos profissionais. Ele defende que a valorização salarial, com a correção da perda inflacionária, é um passo fundamental para a motivação e o bom desempenho dos agentes.

Para Requião Filho, o combate ao crime organizado exige mais do que equipamentos modernos. “Para trabalhar no combate ao crime organizado, é preciso inteligência e fortalecimento das forças de segurança. Não é comprar viatura bonita, é policial bem pago, bem treinado, descansado e podendo trabalhar”, enfatizou. A proposta inclui a realização de investimentos significativos na área e a abertura de novos concursos públicos para suprir a demanda e melhorar as condições de trabalho, garantindo que os policiais estejam em plenas condições físicas e mentais para exercerem suas funções com excelência.

Requião Filho defende reestatização da Copel e critica privatizações

Um dos pontos centrais da sabatina foi a defesa da reestatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Requião Filho reiterou sua crítica à privatização da empresa e defendeu o retorno do controle estatal, mesmo com o Estado ainda sendo um acionista minoritário.

O primeiro passo para essa retomada, segundo o candidato, seria a realização de uma auditoria completa no processo de privatização. “O Estado recebeu R$ 3,2 bilhões pela venda da Copel. Esse dinheiro já acabou, já foi gasto, e sabe quanto ela distribuiu nos últimos anos para os acionistas? R$ 6 bilhões, o dobro do que o Estado recebeu pela venda dela. Foi um péssimo negócio”, argumentou, apresentando dados que, segundo ele, demonstram a perda financeira para o estado.

Ele argumenta que os dividendos distribuídos pela Copel aos acionistas privados superaram o valor recebido pelo Estado na venda, configurando o que ele considera um “péssimo negócio”. A proposta de reestatização visa, segundo ele, garantir que os lucros da empresa voltem a beneficiar a população paranaense e sejam reinvestidos em serviços e infraestrutura.

Propostas para Celepar e Sanepar: tecnologia e investimento social

Em relação a outras empresas de economia mista, Requião Filho adiantou que, caso eleito, a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) não seria privatizada. A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) também teria seu direcionamento alterado, com foco em voltar a realizar “investimentos de cunho social”.

O candidato criticou a política de investimentos da Sanepar, que, segundo ele, prioriza retornos financeiros de curto prazo. “Há investimentos que não são feitos porque a Sanepar diz que não tem retorno em menos de nove anos. Mas, para uma cidade, há um retorno imediato em uma área industrial, onde várias empresas e várias indústrias podem abrir, gerando emprego, gerando arrecadação de impostos, aquecendo a economia”, explicou.

Requião Filho defende que a falta de infraestrutura básica, como água e esgoto, pode inviabilizar o desenvolvimento industrial de uma cidade. “Não adianta fazer uma cidade industrial sem água e esgoto, porque ninguém vai construir uma empresa, uma indústria. Então, a retomada dessas empresas estratégicas é importante para que a gente diminua o custo do Paraná”, concluiu, ressaltando a importância dessas empresas para o desenvolvimento econômico e social do estado.

Visão política: tecnologia e um olhar para o futuro

Ao ser questionado sobre as diferenças entre sua visão política para o Paraná e a de seu pai, o ex-governador Roberto Requião, o candidato Requião Filho citou a diferença de gerações e sua maior familiaridade com o potencial da tecnologia.

“Uma coisa é respeitar a história, outra coisa é viver de passado. O Paraná teve muitos governadores com bons programas, boas ideias e boas construções”, declarou, sinalizando que sua gestão buscará construir sobre as bases já estabelecidas, mas com um olhar voltado para as inovações.

Ele reforçou que a sua proposta é para “um governo de 2026 para frente, aproveitando aquilo que já deu certo”. Essa perspectiva sugere uma abordagem que combina a experiência de gestões passadas com a incorporação de novas tecnologias e metodologias para enfrentar os desafios contemporâneos do estado, com foco em um desenvolvimento sustentável e inovador.

O que esperar da candidatura de Requião Filho para o Paraná

A sabatina com Requião Filho delineou um plano de governo com ênfase na segurança pública através da integração e valorização dos profissionais, na retomada de empresas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social, e na utilização da tecnologia como ferramenta de gestão e inovação.

As propostas apresentadas pelo candidato abordam temas sensíveis para a população paranaense, desde a segurança do dia a dia até a sustentabilidade econômica de longo prazo. A defesa da reestatização da Copel e a crítica às privatizações indicam uma linha de pensamento que prioriza o controle estatal sobre setores considerados estratégicos.

A diferenciação em relação à visão de seu pai, Roberto Requião, ao mencionar a tecnologia, sugere uma adaptação das ideias progressistas às demandas do século XXI, buscando um equilíbrio entre a tradição e a modernidade na condução política do Paraná. A sabatina serviu como plataforma para que Requião Filho apresentasse suas propostas e se diferenciasse de outros candidatos, consolidando sua imagem como uma alternativa para o futuro do estado.

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