Sandro Alex defende continuidade da gestão Ratinho Jr. e cogita privatizar a Celepar

O candidato ao governo do Paraná pelo PSD, Sandro Alex, apresentou suas propostas e visões para o estado durante uma sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL. Em sua manifestação, Alex defendeu a manutenção das políticas implementadas pelo atual governador, Ratinho Junior (PSD), classificando o modelo de concessões rodoviárias do Paraná como uma referência nacional. Além disso, o ex-secretário de Infraestrutura e Logística não descartou a possibilidade de privatizar a Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).

Ao ser questionado sobre a Celepar, Sandro Alex evitou uma resposta direta, mas ressaltou que o foco de seu eventual governo seria a “modernização” dos serviços. Ele argumentou que o estado não deve, necessariamente, ser o responsável por gerir empresas de tecnologia, citando o exemplo do Poder Judiciário, que adquire ferramentas de grandes empresas privadas. A proteção dos dados dos paranaenses, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), foi apontada como um ponto crucial em caso de privatização.

As declarações de Sandro Alex ocorreram em um contexto de debate eleitoral para o governo do Paraná, onde ele se posicionou a favor da continuidade de um modelo de gestão que, segundo ele, tem dado certo no estado. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e pelo UOL.

Celepar: modernização e a questão da soberania de dados

Sandro Alex abordou a futura da Celepar, enfatizando a necessidade de modernização. Ele declarou que o estado deve focar naquilo que é essencial e que, em alguns casos, a contratação de serviços de empresas privadas de tecnologia pode ser mais eficiente. “Nós sempre somos a favor da modernização, daquilo que é importante que o estado possa modernizar e que não cabe essencialmente ao estado. O próprio Poder Judiciário hoje adquire ferramentas de grandes empresas de tecnologia, não de uma empresa pública. Não cabe ao estado trabalhar com isso”, afirmou o candidato.

No entanto, o candidato ressaltou a importância da proteção dos dados da população paranaense. Em caso de privatização da Celepar, Alex garantiu que o foco seria assegurar que as informações dos cidadãos estejam protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “No meu entendimento, independentemente desta modernização, o data center tem que ser soberano. Nós temos que colocar as informações dentro da soberania nacional, não devido a uma empresa, nem à empresa A nem à empresa B, mas sim os próprios governos”, defendeu, indicando a necessidade de controle estatal sobre os dados, mesmo que a infraestrutura seja terceirizada.

Defesa do modelo de privatização da Copel e concessões rodoviárias

O candidato do PSD também se posicionou a favor da privatização da Copel, negando que o processo tenha resultado em aumento nas tarifas de energia elétrica. Segundo ele, os reajustes seriam decorrentes do sistema nacional de energia. Alex destacou que o Paraná continua sendo um dos maiores acionistas da companhia e que o estado ainda recebe dividendos da empresa, o que, em sua visão, demonstra os benefícios da privatização.

No que diz respeito às concessões rodoviárias, Sandro Alex celebrou o que chamou de “o maior programa de concessões da América Latina” implementado no Paraná. Ele garantiu que não permitirá a paralisação de obras importantes, como as duplicações de trechos da BR-277. O candidato ressaltou a coragem e a visão necessárias para construir um modelo que foi bem-sucedido durante diferentes governos federais, citando a colaboração com os ministros de Infraestrutura dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). “Eu comecei com o Tarcísio (de Freitas) e terminei com o Renan (Filho). E os dois ministros concordaram que o Paraná apresentou a melhor solução, que hoje é adotada no Brasil. Os outros estados estão utilizando o modelo Paraná como referência”, disse Alex.

Visão sobre a Lava Jato e a candidatura de Sergio Moro

Sandro Alex foi questionado sobre sua opinião a respeito da candidatura de Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná e sobre a Operação Lava Jato. Ele evitou emitir juízo de valor sobre Moro, afirmando que a avaliação sobre sua qualificação para o cargo “cabe à população paranaense”.

Ao relembrar sua atuação como deputado federal durante o período da Lava Jato, Alex declarou ter defendido as investigações, mas expressou a opinião de que a operação foi prejudicada pela atuação política de seus integrantes no Judiciário. “Eu particularmente acho que toda a operação foi comprometida pela participação política, mas aquela operação foi importante para o Brasil”, afirmou.

Posicionamento sobre bandeiras ideológicas e relação com o governo federal

O candidato do PSD também foi indagado sobre bandeiras defendidas por colegas de partido, como o voto impresso, impeachment de ministros do STF e desconfiança em relação à vacina contra a COVID-19. Sandro Alex preferiu não comentar as posições específicas de outros políticos, mas declarou ser “a favor da ciência”. Sobre o voto impresso, ele se mostrou favorável à discussão sobre a modernização e segurança do sistema eleitoral, mas defendeu que tais debates nacionais devem ser realizados no âmbito do Congresso Nacional.

Alex reiterou que o foco de seu governo seria os problemas e o futuro do Paraná, buscando uma gestão pragmática e baseada em metodologias que já demonstraram sucesso no estado. Ele elogiou a capacidade do governador Ratinho Junior de manter relações institucionais com governos de diferentes espectros ideológicos, como os de Bolsonaro e Lula. “O governador blindou o Paraná, de certa forma, para que nós tivéssemos aqui uma gestão altamente eficiente. Tivemos construções importantes com ambos os governos, mas sempre com o pensamento voltado ao Paraná. E eu defendo que isso continue aqui no estado”, disse.

Cenário eleitoral: pesquisa aponta liderança de Moro

Uma pesquisa de intenções de voto para governador do Paraná, contratada pelo Partido Liberal (PL) e divulgada pelo instituto Paraná Pesquisas, aponta Sergio Moro (PL) na liderança, com 46,1% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. Requião Filho (PDT) aparece em segundo lugar, com 26,5%, seguido por Sandro Alex (PSD), com 16,4%. A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de agosto de 2026, com 1.520 entrevistados, e possui margem de erro de 2,6 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa ouviu 1.520 eleitores entre os dias 13 e 16 de agosto de 2026. O registro no TSE é PR-09048/2026. A pesquisa foi encomendada pelo Partido Liberal (PL).

Propostas de outros candidatos em sabatinas anteriores

Em sabatinas anteriores realizadas pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, outros candidatos também apresentaram suas visões para o Paraná. Sergio Moro defendeu um “choque de gestão” na Sanepar antes de considerar uma eventual privatização e afirmou que sua relação com Lula, caso o presidente seja reeleito, seria “republicana e institucional”. Por sua vez, Requião Filho declarou a intenção de encerrar “imediatamente” o programa Parceiro da Escola e retomar o controle da Copel por meio da compra de ações pelo governo estadual.

O modelo de gestão paranaense e a busca por eficiência

Sandro Alex, ao defender a continuidade da gestão de Ratinho Junior, busca capitalizar sobre a percepção de eficiência e boa governança que o atual governo tem buscado projetar. A estratégia de manter um diálogo institucional com diferentes esferas do poder federal, independentemente de alinhamentos ideológicos, é apresentada como um diferencial para garantir a estabilidade e o avanço de projetos no estado. A menção ao “modelo Paraná” como referência nacional em concessões rodoviárias reforça essa narrativa de sucesso e inovação em gestão pública.

A possível privatização da Celepar, embora não confirmada, levanta discussões sobre o papel do Estado na prestação de serviços de tecnologia. Alex sinaliza uma visão moderna, onde a eficiência e a capacidade de adaptação às novas tecnologias podem ser alcançadas através de parcerias com o setor privado. Contudo, a preocupação com a soberania dos dados e a proteção da privacidade dos cidadãos são pontos que, segundo ele, devem ser rigorosamente observados em qualquer processo de alienação de ativos públicos na área de tecnologia.

O futuro das estatais e o papel do estado no Paraná

A discussão sobre a privatização de empresas estatais como a Copel e a potencial privatização da Celepar reflete um debate mais amplo sobre o papel do Estado na economia. Enquanto alguns defendem a intervenção estatal como forma de garantir serviços essenciais e promover o desenvolvimento, outros argumentam que a gestão privada pode trazer mais eficiência, inovação e competitividade. Sandro Alex se alinha à segunda corrente, defendendo um Estado que seja mais regulador e menos executor em certos setores, mas que garanta, acima de tudo, o bem-estar e a segurança dos cidadãos.

A continuidade da gestão de Ratinho Junior, com a proposta de Sandro Alex, sugere uma aposta em um modelo de governança que prioriza a atração de investimentos, a modernização da infraestrutura e a eficiência administrativa. A forma como esses princípios serão aplicados, especialmente em relação a empresas públicas e à gestão de dados sensíveis, será um dos pontos cruciais a serem acompanhados pela sociedade paranaense nos próximos anos.

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