Santander Brasil prevê ano de crescimento em rentabilidade e lucro recorde em 2024

O Santander Brasil está otimista quanto à retomada do crescimento de sua rentabilidade em 2024, projetando o maior lucro líquido anual desde que Mario Leão assumiu a presidência do banco em 2022. A confiança foi expressa pelo próprio executivo em sua última coletiva de imprensa de resultados, antes de sua saída do banco até o final de julho.

Apesar de um primeiro trimestre com lucro líquido gerencial de R$ 3,79 bilhões, uma queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e abaixo das expectativas do mercado, Leão destacou que o Retorno sobre o Patrimônio (ROE) deve voltar a crescer ao longo do ano.

O executivo também reafirmou a meta de atingir 20% de ROE até 2028, considerando-a totalmente factível e indicando que o banco trabalha para alcançar esse patamar antes do prazo. As informações foram divulgadas pelo próprio Santander Brasil.

CEO Mario Leão demonstra segurança na recuperação da rentabilidade e metas futuras

Em sua última coletiva de imprensa como CEO do Santander Brasil, Mario Leão transmitiu uma mensagem de otimismo quanto ao futuro do banco. Ele afirmou ter “bastante segurança” de que o Retorno sobre o Patrimônio (ROE) do banco, que ficou em 16% no primeiro trimestre de 2024 (abaixo dos 17,6% do quarto trimestre de 2023 e 17,4% do primeiro trimestre de 2023), voltará a apresentar uma trajetória de crescimento ao longo do ano. Essa confiança se estende à meta de atingir 20% de ROE até 2028, considerada pelo executivo como “totalmente factível”.

Leão, que deixará o cargo até o final de julho, ressaltou que a retomada do crescimento da rentabilidade dependerá do avanço da operação orgânica do banco e de um aumento sequencial do lucro antes de impostos nos próximos trimestres. No primeiro trimestre, o lucro antes de impostos registrou alta de 5,4% em relação ao trimestre anterior, totalizando R$ 4,6 bilhões. O recuo no ROE no período foi atribuído a um aumento no pagamento de impostos, enquanto o patrimônio líquido apresentou crescimento.

Apesar da queda pontual no desempenho trimestral, que levou as units do banco a recuarem 1,6% na bolsa paulista no dia da divulgação, analistas do Citi reconhecem a resiliência do Santander Brasil em suas receitas principais, custos disciplinados e gestão de riscos prudente. Contudo, apontam que a pressão sobre a qualidade dos ativos e o ROE mais baixo indicam um espaço limitado para expansão da rentabilidade no curto prazo.

Lucro líquido do primeiro trimestre ficou abaixo das expectativas, mas projeções futuras são positivas

O Santander Brasil reportou um lucro líquido gerencial de R$ 3,79 bilhões no primeiro trimestre de 2024, um resultado que representou um recuo de 1,9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Este desempenho ficou aquém das expectativas do mercado, o que impactou o desempenho das ações do banco na bolsa. Por volta das 11h30 do dia da divulgação, as units do Santander caíam 1,6%, enquanto o Ibovespa registrava queda de 1,1%.

O CEO Mario Leão, em sua última coletiva de imprensa antes de deixar o cargo, buscou tranquilizar o mercado, projetando uma forte retomada da rentabilidade ao longo do ano e um lucro anual que deve superar o registrado em 2021, quando o banco alcançou R$ 16,3 bilhões de lucro líquido gerencial. Leão assumiu a presidência do banco no início de 2022.

Apesar de garantir que o lucro anual de 2024 será superior ao de 2021, o executivo admitiu que o ROE pode levar mais tempo para atingir os patamares de 2021, prevendo que a meta de 20% só seja alcançada até 2028, embora o banco trabalhe para antecipar esse prazo. Leão também expressou confiança no lucro de 2026, sentindo-se “dono do lucro” integral daquele ano.

Estratégias de crédito: foco em PMEs, cautela com grandes empresas e ajustes na baixa renda

Em relação à carteira de crédito, Mario Leão destacou que a perspectiva de uma desaceleração no ritmo de queda da taxa Selic não deve causar uma deterioração significativa nas provisões para calotes (PDD) do banco. A expectativa é que as provisões acompanhem a expansão da carteira de crédito ao longo do ano, com possíveis ajustes em alguns portfólios.

O Santander Brasil mantém o foco no crescimento junto a pequenas e médias empresas (PMEs), mas com uma abordagem cautelosa. Paralelamente, o banco monitora de perto casos pontuais entre grandes empresas, com atuação direta nas negociações para mitigar riscos. Leão assegurou que o banco está bem provisionado e que, embora possa haver a necessidade de reforços em nomes específicos nos próximos trimestres, a situação está sob controle.

A carteira de agronegócio, embora considerada um ponto de atenção, tem sua estabilidade estimada. No segmento de pessoa física, o banco intensifica sua atuação na alta renda e realiza uma redução “cirúrgica” na baixa renda, focando em segmentos onde a rentabilização é menor. A estratégia envolve a saída de públicos com renda muito baixa, de um a dois salários mínimos, e sem vínculo de folha de pagamento.

Programa de renegociação de dívidas: Santander aposta em modelo próprio com alta adesão

Mario Leão comentou sobre o novo programa de renegociação de dívidas em elaboração pelo governo, que prevê descontos de até 90% em pendências como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia. O executivo demonstrou otimismo em relação ao programa, destacando que o modelo, desta vez executado diretamente pelos bancos em suas próprias plataformas, tem maior potencial de adesão em comparação com iniciativas anteriores como o Desenrola, que utilizou uma plataforma única.

Leão refutou a ideia de que o programa tenha cunho eleitoral, afirmando que a afirmação não é correta e que o diagnóstico do governo sobre a necessidade de renegociação de dívidas está “absolutamente correto”. A expectativa é que a nova abordagem, mais descentralizada e integrada aos sistemas bancários, promova uma maior aderência dos consumidores, facilitando a regularização financeira de um número expressivo de brasileiros.

O programa, que está sendo desenhado para oferecer condições vantajosas aos devedores, representa uma oportunidade tanto para os clientes regularizarem suas pendências quanto para os bancos fortalecerem o relacionamento e a base de ativos. A iniciativa se alinha com o objetivo de promover a saúde financeira da população e estimular o consumo.

Transição na liderança: Gilson Finkelsztain assume o comando do Santander Brasil

Em meio às projeções de crescimento e à saída de Mario Leão, o Santander Brasil já definiu seu novo líder. Gilson Finkelsztain, atualmente presidente-executivo da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), assumirá a presidência do banco até julho, sucedendo Leão. A transição marca o fim de um ciclo para Leão, que avaliou positivamente sua gestão.

Leão expressou satisfação com o trabalho realizado durante seus cinco anos à frente do banco, afirmando que recebeu uma instituição “espetacular” e que trabalhou para que ela se desenvolvesse e crescesse de forma diferente nos anos anteriores. Ele se disse “bastante contente” por ter conseguido implementar essas mudanças e impulsionar o crescimento do Santander Brasil.

A nomeação de Finkelsztain, um profissional com vasta experiência no mercado financeiro e na gestão de infraestruturas críticas, sinaliza a continuidade da estratégia do banco e a busca por aprimoramento em suas operações. A expectativa é que a nova liderança mantenha o foco na rentabilidade, na inovação e na expansão dos negócios, garantindo a solidez e o crescimento do Santander Brasil no cenário econômico nacional.

Análise de analistas: resiliência com desafios pontuais no curto prazo

Analistas do Citi, ao avaliarem os resultados e as projeções do Santander Brasil, reconheceram a capacidade do banco em manter a resiliência em suas principais linhas de receita, além de um controle rigoroso dos custos e uma gestão de riscos considerada prudente. No entanto, a análise aponta que a combinação de pressões sobre a qualidade dos ativos e um ROE mais baixo no primeiro trimestre limita o espaço para uma expansão acelerada da rentabilidade no curto prazo.

A perspectiva de que a taxa Selic recue mais lentamente do que o previsto inicialmente também foi considerada. Embora Leão tenha expressado confiança na estabilidade das provisões para calotes, os analistas observam que o cenário macroeconômico e as taxas de juros podem apresentar desafios adicionais para a gestão de crédito e a rentabilidade do banco.

A cautela em segmentos específicos, como as grandes empresas e a necessidade de ajustes “cirúrgicos” na baixa renda, também são pontos que demandam acompanhamento. A capacidade do Santander Brasil em navegar por esses desafios, ao mesmo tempo em que busca o crescimento orgânico e a consolidação de suas metas futuras, será crucial para o desempenho do banco nos próximos trimestres e para a confirmação das projeções otimistas de sua liderança.

Perspectivas para 2024: lucro anual acima de 2021 e ROE em ascensão

Mario Leão, em sua despedida, fez um balanço sobre seu período como CEO e projetou um cenário positivo para o Santander Brasil em 2024. Ele garantiu que o banco encerrará o ano com um lucro anual superior ao registrado em 2021, quando o lucro líquido gerencial atingiu R$ 16,3 bilhões. Essa projeção reforça a confiança na capacidade de recuperação e crescimento da instituição sob a nova liderança.

Embora o lucro anual deva superar o de 2021, Leão admitiu que o ROE pode levar mais tempo para atingir os patamares anteriores, com a meta de 20% prevista para 2028. No entanto, ele ressaltou que o banco está trabalhando para antecipar essa meta. A afirmação de que se sente “dono do lucro” inteiro de 2026 demonstra a segurança e o compromisso com os resultados futuros do banco.

A expectativa é que, com a continuidade das estratégias atuais e a implementação de novas iniciativas, o Santander Brasil consolide sua posição no mercado e entregue valor aos seus acionistas. A transição de liderança, com a chegada de Gilson Finkelsztain, é vista como um passo natural para a evolução do banco, mantendo o foco em eficiência, rentabilidade e inovação.

O futuro do Santander Brasil: inovação, digitalização e foco no cliente

A gestão de Mario Leão no Santander Brasil foi marcada por um esforço contínuo em adaptar o banco às novas dinâmicas do mercado financeiro, com ênfase na digitalização e na experiência do cliente. A busca por um crescimento diferente do que vinha sendo observado nos anos anteriores foi um dos pilares de sua estratégia.

A expectativa é que a nova liderança, com Gilson Finkelsztain à frente, mantenha e aprimore o foco em inovação e na oferta de soluções financeiras mais eficientes e personalizadas. A digitalização dos processos, a melhoria da plataforma de atendimento e a expansão dos serviços digitais devem continuar sendo prioridades.

O Santander Brasil busca se posicionar como um banco cada vez mais conectado às necessidades de seus clientes, oferecendo desde soluções de crédito acessíveis até investimentos sofisticados. A capacidade de antecipar tendências e de se adaptar rapidamente às mudanças regulatórias e tecnológicas será fundamental para o sucesso contínuo do banco no competitivo mercado brasileiro.

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