STF no centro do debate eleitoral: pré-candidatos ao Senado no Sul do Brasil prometem confronto
A corrida eleitoral para o Senado em outubro ganha um tempero adicional na Região Sul do Brasil: a postura dos candidatos em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A atuação da Corte nos últimos anos, a relação entre os Poderes e a possibilidade de impeachment de ministros emergem como temas centrais para a reflexão do eleitor e para as estratégias de campanha de diversos pré-candidatos.
Na região, a aliança entre PL e Novo em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul sinaliza um alinhamento em oposição ao que consideram “excessos” do Supremo. Declarações recentes de figuras políticas indicam que o STF estará no epicentro do debate eleitoral, moldando discursos e propostas.
Enquanto a direita foca em críticas e na defesa do impeachment, a esquerda articula sua narrativa em torno da defesa das instituições democráticas. A Gazeta do Povo realizou um levantamento para entender como esse tema está sendo abordado na pré-campanha, ouvindo diretamente os pré-candidatos dos três estados do Sul. Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
Paraná: Confronto Institucional como Pauta no Senado
No Paraná, a disputa pelo Senado promete ser acirrada, com pré-candidatos de diferentes espectros políticos posicionando-se de forma clara em relação ao STF. A pauta do impeachment de ministros e a reforma do Judiciário despontam como elementos cruciais nas campanhas de alguns nomes, enquanto outros defendem uma abordagem mais institucional e cautelosa.
Alvaro Dias (MDB) e a Modernização do Impeachment
O ex-senador Alvaro Dias (MDB) reconhece que o debate sobre o STF é imposto pela própria população. Ele destaca a apresentação de um projeto de modernização da legislação em 2015, visando viabilizar o processo de impeachment para ministros de tribunais superiores. Dias também defende o fim do foro privilegiado como medida para aumentar a transparência na relação entre os Poderes Legislativo e Judiciário. Segundo o pré-candidato, a extinção do foro privilegiado eliminaria a suspeição de conluio entre os poderes, permitindo que o Supremo recupere credibilidade.
Cristina Graeml (PSD) e a Reforma do Judiciário
A jornalista conservadora Cristina Graeml (PSD) afirma que a aprovação de processos de impeachment contra ministros do STF será uma prioridade em sua campanha. Ela também se compromete a defender a anistia a presos e exilados políticos, caso essa questão não seja resolvida ainda este ano. Graeml coloca a reforma do Judiciário como um dos temas centrais do pleito, com o compromisso de eleger um presidente de Senado alinhado a essas pautas, especialmente o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Deltan Dallagnol (Novo) e a Crítica à Omissão
O ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) ressalta que o partido publicou uma resolução exigindo que todos os pré-candidatos ao Senado se comprometam com a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo. Dallagnol critica a omissão da presidência do Senado e dos senadores, afirmando que o Brasil não precisa de “parlamentares covardes”. Ele argumenta que, diante de decisões consideradas abusivas e pedidos de impeachment, a questão não é mais se um ministro deve ser investigado, mas sim por que ainda não foi afastado.
Filipe Barros (PL) e a Urgência da Reforma Judicial
O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), alvo de inquérito do STF, pretende priorizar o debate sobre a atuação da Corte e a possibilidade de impeachment de seus ministros. Em dobradinha com Dallagnol na chapa PL-Novo no Paraná, Barros reforça a urgência de uma reforma no Judiciário. Ele defende que o debate seja conduzido de forma sóbria, com a participação de juristas, todo o Senado e até mesmo os próprios ministros.
Gleisi Hoffmann (PT) e a Defesa Institucional
A ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT), pré-candidata ao Senado pelo Paraná, manifestou-se no passado contra a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF, argumentando que o instituto não deve ser usado “com a faca na cabeça dos ministros”. Sua assessoria informou que a petista preferiu não se manifestar sobre o assunto no momento. A postura de Hoffmann alinha-se à narrativa da esquerda de defesa das instituições democráticas.
Santa Catarina: A Família Bolsonaro e o Confronto com o STF
Em Santa Catarina, a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL-SC) ao Senado, com sua conhecida retórica de confronto com o STF, promete intensificar o debate sobre a atuação da Corte no estado. A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP-SC) também se posicionam de forma crítica em relação ao Supremo, indicando um forte embate institucional como marca da campanha.
Carlos Bolsonaro (PL) e o Legado de Críticas ao STF
Carlos Bolsonaro (PL-SC) tem um histórico consolidado de confrontos com ministros do STF, especialmente com Alexandre de Moraes. Sua mudança para Santa Catarina e a candidatura ao Senado indicam a intenção de manter essa linha de ataque, que foi uma marca do governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. As críticas se intensificaram recentemente em relação à atuação da Corte em casos que envolveram a família.
Caroline De Toni (PL) e o Pedido de Esclarecimentos
A deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) confirmou sua pré-candidatura ao Senado ao lado de Carlos Bolsonaro, e a pauta do impeachment de ministros será um ponto comum na campanha da dupla. Recentemente, De Toni protocolou um convite para que o ministro Alexandre de Moraes prestasse esclarecimentos na Câmara dos Deputados sobre sua relação com um empresário em um caso específico. Ela defende que o Parlamento utilize seus instrumentos constitucionais para ouvir e esclarecer fatos relevantes envolvendo autoridades da mais alta Corte.
Esperidião Amin (PP) e a “Tirania” do STF
O senador Esperidião Amin (PP-SC), que busca a reeleição, pretende manter em sua campanha o tom de cobrança contra o STF que tem adotado no Senado. Ele criticou a continuidade do inquérito das fake news, classificando-o como “tirania” e “despotismo”, e defende o impeachment de ministros como única forma de conter essa situação, uma vez que a “autocontenção não funcionou”.
Dércio Lima (PT) e a Ausência de Manifestação Pública
O pré-candidato ao Senado pelo PT, Décio Lima, não se manifestou publicamente sobre o STF, e sua assessoria não retornou o contato da reportagem para informar seu posicionamento sobre o tema.
Rio Grande do Sul: Oposição ao STF e Defesa das Instituições
No Rio Grande do Sul, o cenário para a disputa ao Senado também apresenta pré-candidatos com visões distintas sobre o STF. Enquanto candidatos alinhados ao PL e ao Novo prometem pautas de confronto e impeachment, nomes ligados ao PSOL defendem a atuação da Corte e criticam a “perseguição” de setores conservadores.
Marcel Van Hattem (Novo) e o Compromisso com o Impeachment
O deputado federal Marcel van Hattem (Novo) confirmou que o impeachment de ministros e os limites para a atuação do STF serão centrais em sua campanha. Ele aponta o escândalo do Banco Master e as relações suspeitas entre figuras ligadas à Corte e empresários como agravantes da situação. Van Hattem ressalta que o partido Novo exige o compromisso de seus candidatos ao Senado em votar a favor do impeachment de ministros, sob pena de expulsão da sigla.
Ubiratan Sanderson (PL) e a Crise Institucional
O deputado federal Ubiratan Sanderson (PL), que compõe a chapa com Marcel van Hattem no Rio Grande do Sul, também deve priorizar o debate sobre a atuação do STF. Ele expressa preocupação com o que considera uma crise sem precedentes nas instituições, afirmando que órgãos como o Senado e a PGR não estão cumprindo seus papéis. Sanderson vê o impeachment como uma medida necessária diante da ineficácia dos mecanismos de controle.
Manuela D’Ávila (PSOL) e a “Perseguição da Extrema-Direita”
A pré-candidata do PSOL, Manuela D’Ávila, adota uma posição contrária à de seus oponentes na direita. Ela defende a atuação do STF e acusa a “extrema-direita” de perseguir a Corte, especialmente após a prisão do ex-presidente Bolsonaro e a condenação dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. D’Ávila argumenta que o interesse da direita é obter maioria no Senado para controlar a Casa e influenciar as decisões do Supremo.
Germano Rigotto (MDB) e Paulo Pimenta (PT) sem Manifestação
Tanto o ex-governador Germano Rigotto (MDB) quanto o deputado federal Paulo Pimenta (PT) não se manifestaram publicamente sobre o tema e não retornaram os contatos da reportagem para apresentar seus posicionamentos a respeito do STF.
A Polarização Política e o Papel do Senado
A centralidade do debate sobre o STF nas campanhas eleitorais para o Senado na Região Sul reflete a profunda polarização política que o Brasil atravessa. A atuação da Corte, muitas vezes vista como protagonista em decisões que impactam diretamente a política e a sociedade, tornou-se um ponto de inflexão para diferentes grupos ideológicos.
Enquanto alguns pré-candidatos buscam capitalizar o descontentamento com o Judiciário, propondo medidas como o impeachment e a reforma institucional, outros defendem a preservação das instituições e criticam o que percebem como tentativas de desestabilização do Estado Democrático de Direito. O Senado Federal, como órgão responsável pela aprovação de indicações de ministros e pela análise de processos de impeachment, assume um papel crucial nesse cenário de tensão entre os Poderes.
A forma como os eleitores sulistas irão ponderar essas diferentes visões sobre o STF poderá definir não apenas os futuros senadores, mas também influenciar o equilíbrio de poderes e a estabilidade institucional do país nos próximos anos. A expectativa é que o tema siga quente na agenda política até as eleições de outubro.