Nesta quarta-feira, o Banco Central do Brasil anunciou a liquidação extrajudicial do Will Bank, uma medida drástica que reverberou no mercado financeiro nacional. A decisão encerra um período de incertezas para a instituição, que já operava sob um Regime Especial de Administração Temporária (RAET) e estava intrinsecamente ligada ao conglomerado Master, liderado pelo Banco Master.

A liquidação do Will Bank não é um evento isolado, mas o desfecho de uma série de problemas que se arrastavam na instituição e em seu controlador. O caso joga luz sobre práticas de alto risco e esquemas financeiros complexos que comprometeram a saúde econômica de um importante grupo bancário no país.

Investigações e relatórios detalhados do Banco Central e da Polícia Federal revelaram a gravidade da situação, expondo um cenário de insolvência e operações fraudulentas. Conforme informações divulgadas pelo Banco Central, a falha em pagamentos e a deterioração financeira levaram à liquidação inevitável do Will Bank.

Entenda a Liquidação do Will Bank e a Conexão com o Banco Master

A liquidação do Will Bank foi decretada após o Banco Central constatar que uma solução para a instituição não era mais viável. O banco, que integrava o conglomerado Master, vinha sendo observado de perto pela autoridade monetária.

Em 19 de janeiro, foi registrado o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, resultando no bloqueio de sua participação neste arranjo. Essa falha foi um ponto crucial para a decisão do BC.

Anteriormente, na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, o BC havia imposto o RAET ao Master Múltiplo S/A, buscando preservar o funcionamento da Will Financeira. No entanto, a situação se tornou insustentável.

O Banco Central justificou a liquidação extrajudicial da Will Financeira em razão do comprometimento de sua situação econômico-financeira, sua insolvência e o vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master. O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O Colapso do Banco Master: Riscos Excessivos e Inflação de Balanço

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master alcançou um crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade significativamente acima da média do mercado. Essa estratégia, no entanto, exigia a assunção de riscos excessivos.

Para manter seu modelo de negócios, o banco passou a estruturar operações que, segundo investigações, inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real, o dinheiro imediatamente disponível para ressarcir os investidores, se deteriorava rapidamente. As investigações da Polícia Federal e os relatórios do BC apontam que o colapso do Master não foi apenas financeiro, mas também institucional.

Esquema de Desvio e Fundos Suspeitos da Reag Investimentos

O caso do Banco Master se transformou em um complexo xadrez, com impacto direto sobre investidores e sobre a credibilidade das instituições. A Polícia Federal e o Banco Central revelaram uma conexão com a gestora Reag Investimentos, que esteve no centro de um esquema de desvio de recursos.

Entre 2023 e 2024, o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações financeiras. O esquema envolvia o empréstimo de recursos a empresas supostamente

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