A tensão entre Venezuela e Estados Unidos atingiu um novo patamar após o Procurador-Geral venezuelano, Tarek William Saab, anunciar a abertura de uma investigação formal. O objetivo é apurar as ‘dezenas’ de mortes ocorridas durante uma ação militar dos EUA em Caracas e outras regiões do país.
A operação surpresa, realizada na madrugada do último dia 3, culminou na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Caracas classificou o ataque como um ‘crime de guerra’ e uma ‘agressão sem precedentes’ contra a soberania venezuelana.
Ainda que o regime de Maduro não tenha especificado o número exato de vítimas, a gravidade das acusações e as contagens preliminares de outras fontes indicam um cenário de grande devastação, conforme informações divulgadas pelo Procurador-Geral venezuelano.
O Ataque Americano e as Primeiras Contagens de Vítimas
Tarek William Saab, figura chavista e Procurador-Geral da Venezuela, declarou a nomeação de três procuradores para conduzir a investigação. Ele enfatizou que o foco será nas ‘dezenas de vítimas civis e militares inocentes’ que perderam suas vidas durante o que chamou de ‘horrível crime de guerra’.
O ataque americano, descrito como uma operação surpresa, chocou a capital Caracas e outras partes do território venezuelano. A ação foi um ponto de virada na crise política do país, levando à prisão do líder venezuelano e de sua companheira.
Fontes venezuelanas citadas pelo jornal The New York Times, por exemplo, apontaram para um número significativamente alto de fatalidades, estimando que 80 pessoas foram mortas na operação. Estes dados contrastam com a falta de números oficiais por parte de Caracas.
O Envolvimento Cubano e a Reação de Havana
A dimensão do conflito se expandiu com a confirmação de envolvimento estrangeiro. No domingo seguinte à operação, o regime de Cuba anunciou que 32 militares cubanos que serviam na Venezuela morreram em ‘ações de combate’ durante o ataque dos EUA em território venezuelano.
O ditador cubano, Miguel Díaz-Canel, utilizou suas redes sociais para informar que esses militares estavam ‘cumprindo missões’ em Caracas. Ele afirmou que a presença deles se dava ‘a pedido de seus homólogos naquele país’, sem, contudo, fornecer detalhes adicionais sobre as atividades.
O Ministério do Interior cubano detalhou que entre os falecidos estavam membros das Forças Armadas Revolucionárias, de seu próprio departamento, que também emprega muitos militares, e dos serviços de inteligência. A perda ressalta a profunda ligação entre os regimes de Cuba e Venezuela.
A Posição dos EUA e os Números Conflitantes
Pouco antes do anúncio de Havana, o então presidente dos EUA, Donald Trump, já havia feito declarações sobre as baixas. Ele afirmou que ‘muitos do outro lado’ morreram na operação destinada a capturar Maduro, incluindo ‘muitos cubanos’ que faziam sua segurança pessoal.
Em relação às suas próprias forças, autoridades de Washington indicaram que meia dúzia de soldados americanos ficaram feridos durante a ação. No entanto, o presidente Trump recusou-se a confirmar publicamente esses números, mantendo um certo sigilo sobre as perdas americanas.
A disparidade nos relatos e a dificuldade em obter informações precisas sobre o número de vítimas civis e militares sublinham a complexidade e a controvérsia em torno da ação militar dos EUA na Venezuela, que agora é objeto de uma rigorosa investigação por ‘crime de guerra’.