Augusto Cury emerge como força política inesperada, alcançando dois dígitos em pesquisas presidenciais
Em um movimento que surpreende o cenário político brasileiro, o escritor Augusto Cury (Avante) registrou um crescimento expressivo nas intenções de voto para a Presidência da República em 2026. Pesquisas divulgadas na última semana captaram um avanço significativo, consolidando Cury como uma potencial terceira via em meio à polarização entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT).
Sete institutos de pesquisa, incluindo Datafolha, AtlasIntel e Quaest, apontaram que o escritor saltou de índices inferiores a 4% para a marca dos 10%, tornando-se o primeiro candidato, além dos líderes, a atingir dois dígitos em cenários estimulados de primeiro turno. Esse desempenho, que varia entre 7% e 11% dependendo da sondagem, representa uma guinada notável para um nome que recentemente figurava com no máximo 2% das preferências.
A ascensão de Cury, embora ainda distante de incomodar diretamente a disputa pelo segundo turno entre Bolsonaro e Lula, demonstra uma capacidade de mobilização e atração de eleitores que o posiciona como um ator relevante na corrida eleitoral. As informações foram compiladas a partir de levantamentos divulgados entre 31 de agosto e 3 de setembro de 2026.
Do livro para a política: a trajetória de Augusto Cury
Augusto Cury é mundialmente conhecido por sua vasta obra literária, com livros traduzidos para mais de 70 países e estimativas de vendas que variam entre 35 e 40 milhões de exemplares. Títulos como “O Vendedor de Sonhos”, adaptado para o cinema, consolidaram sua fama como um dos autores mais lidos da atualidade. No entanto, seu nome não possuía, até recentemente, o mesmo reconhecimento no universo político.
A entrada de Cury no debate presidencial ganhou força após participações em programas de grande audiência, como o debate da Band e uma entrevista no Jornal Nacional. Paralelamente, suas redes sociais experimentaram um crescimento meteórico, com o número de seguidores no Instagram ultrapassando a marca de 10 milhões em menos de duas semanas. Esse aumento na visibilidade pública foi crucial para transformar seu reconhecimento literário em potencial eleitoral.
A rápida disseminação de seu conteúdo online parece ter impactado diretamente a percepção dos eleitores. Pesquisas da Quaest indicam que a porcentagem de eleitores que conheciam Cury e declaravam voto nele saltou de 10% em agosto para 21% no início de setembro. Esse crescimento na votabilidade veio acompanhado, simultaneamente, de um aumento em sua rejeição, um fenômeno comum a candidatos que ganham notoriedade rapidamente.
O fenômeno da consolidação: eleitores decididos e apoio irrestrito
Um dos aspectos mais notáveis do avanço de Augusto Cury é a qualidade do apoio que tem recebido. Dados da Quaest revelam que, em julho, nenhum entrevistado declarava estar totalmente decidido a votar em Cury. No entanto, em setembro, 52% dos que manifestaram intenção de voto no escritor afirmaram que sua escolha é definitiva. Esse índice sugere um eleitorado mais engajado e menos suscetível a oscilações.
Essa consolidação do voto indica que Cury conseguiu não apenas atrair novos eleitores, mas também converter simpatizantes em apoiadores firmes. A fidelidade demonstrada por essa parcela do eleitorado é um indicativo de que sua mensagem ressoa de forma particular, construindo uma base sólida que pode ser vital para sua campanha.
A capacidade de gerar um apoio considerado “praticamente irrestrito” é um diferencial importante em um cenário político muitas vezes fragmentado. Esse tipo de compromisso eleitoral pode ser um fator determinante em futuras etapas da campanha, especialmente em cenários de segundo turno, onde a mobilização da base é fundamental.
Análise das pesquisas: o impacto de Cury nos adversários
O crescimento de Augusto Cury nas pesquisas de intenção de voto não ocorreu no vácuo. Para alcançar os 10% de preferência, o escritor precisou retirar votos de outros candidatos. A análise dos levantamentos mostra que Cury absorveu apoio de diversos segmentos, com destaque para o grupo de eleitores que se posicionavam atrás de Flávio Bolsonaro e Lula, incluindo nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Comparando pesquisas realizadas em 14 de agosto e 2 de setembro, observa-se uma variação significativa nas intenções de voto. Enquanto Augusto Cury registrou um aumento de 8 pontos percentuais, Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram recuos de 1 ponto percentual cada. Outros candidatos como Renan Santos (-1 pp), Romeu Zema (-1 pp) e Ronaldo Caiado (-3 pp) também viram suas porcentagens diminuírem.
Esse movimento indica que Cury está se beneficiando de eleitores que antes pulverizavam suas escolhas entre diversos candidatos. Segundo a Quaest, 24% dos eleitores que se consideram independentes declararam voto em Cury. Ele também capta 6% das intenções de voto tanto na “esquerda não lulista” quanto na “direita não bolsonarista”, demonstrando uma capacidade de atração transversal.
Cury em cenários de segundo turno: desafios e oportunidades
Embora o crescimento de Augusto Cury seja notável, as pesquisas indicam que ele ainda não representa uma ameaça direta aos líderes no primeiro turno. Lula mantém a liderança, e Flávio Bolsonaro ostenta uma vantagem considerável, variando entre 19 e 25,9 pontos percentuais sobre Cury. A consolidação como “terceira via” ainda é um objetivo a ser plenamente alcançado.
A única pesquisa que testou Cury em um cenário de segundo turno, realizada pela Quaest, o colocou em desvantagem contra Lula. No confronto direto, o petista obteve 40% das intenções de voto, enquanto Cury alcançou 34%. Essa simulação, contudo, é apenas um retrato momentâneo e pode sofrer alterações significativas à medida que a campanha avança e a visibilidade de Cury aumenta.
O desafio para Cury será transformar o reconhecimento e o apoio inicial em uma força eleitoral capaz de disputar a vaga no segundo turno. A capacidade de sua campanha em dialogar com diferentes espectros políticos e consolidar sua imagem como uma alternativa viável será crucial para determinar seu desempenho futuro.
Metodologia e confiabilidade dos levantamentos
Diversos institutos renomados participaram da coleta de dados que apontou o crescimento de Augusto Cury. O Datafolha, por exemplo, ouviu 2.002 entrevistados entre 1º e 3 de setembro de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais. A Futura Inteligência entrevistou 2.000 pessoas entre 27 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de 2,2 pontos.
O PoderData realizou uma pesquisa com 3.000 entrevistados de 30 de agosto a 2 de setembro, também com margem de erro de 2 pontos. A Quaest divulgou dois levantamentos recentes: um com 2.004 entrevistados de 30 de agosto a 1º de setembro (margem de erro de 2 pontos) e outro anterior, de 10 a 13 de agosto, com 2.004 pessoas (margem de erro de 2 pontos).
Outros institutos como Real Time Big Data (2.000 entrevistados entre 27 e 31 de agosto, margem de erro de 2 pontos), AtlasIntel (5.014 entrevistados de 25 a 30 de agosto, margem de erro de 1 ponto) e Nexus/BTG Pactual (2.005 entrevistados de 28 a 30 de agosto, margem de erro de 2 pontos) complementam o quadro de pesquisas. Todos os levantamentos citados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), garantindo a transparência e a validade metodológica dos dados apresentados.
O impacto das redes sociais e da mídia tradicional no eleitorado
A ascensão meteórica de Augusto Cury nas pesquisas é um reflexo direto de sua estratégia de comunicação, que combinou uma presença forte nas redes sociais com aparições em veículos de mídia tradicionais. A rápida expansão de sua base de seguidores no Instagram, por exemplo, permitiu que ele alcançasse um público vasto e engajado, disseminando suas ideias e propostas de forma viral.
A participação em debates e entrevistas de grande repercussão, como no Jornal Nacional e no debate da Band, amplificou seu alcance, apresentando-o a eleitores que talvez não o conhecessem por meio de sua obra literária ou de seu trabalho como palestrante. Essa dualidade na estratégia de comunicação parece ter sido fundamental para construir o reconhecimento e a intenção de voto observados.
A forma como Cury tem utilizado as plataformas digitais para se conectar com o eleitorado, compartilhando conteúdos que abordam temas como saúde mental, desenvolvimento pessoal e crítica social, parece ressoar com um público que busca alternativas às narrativas políticas convencionais. Essa conexão, aliada à sua notoriedade como escritor, o posiciona de maneira única na corrida presidencial.
Augusto Cury: uma figura que desafia a polarização
Em um cenário político marcado pela forte polarização entre os polos ideológicos representados por Flávio Bolsonaro e Lula, o surgimento de Augusto Cury como uma terceira via é um fenômeno digno de nota. Sua capacidade de atrair votos de diferentes espectros, incluindo eleitores independentes, “esquerda não lulista” e “direita não bolsonarista”, sugere uma habilidade em transcender divisões partidárias tradicionais.
Essa característica o diferencia de muitos pré-candidatos que se concentram em consolidar suas bases dentro de blocos ideológicos específicos. Cury parece estar construindo uma plataforma mais ampla, apelando para um sentimento de insatisfação com o status quo e oferecendo uma perspectiva diferente daquela apresentada pelos principais contendores.
O desafio para Cury será manter esse ímpeto e traduzir o entusiasmo inicial em uma campanha robusta e organizada, capaz de sustentar o crescimento e competir de forma efetiva nas próximas fases da eleição. Sua trajetória demonstra o potencial de novas figuras políticas em emergir e desafiar o cenário estabelecido, especialmente em tempos de grande efervescência nas redes sociais e de busca por novas lideranças.
O que esperar do futuro de Augusto Cury na corrida presidencial
Com os números atuais, Augusto Cury se consolida como um nome a ser observado na disputa presidencial de 2026. O salto para dois dígitos nas pesquisas, impulsionado por sua expressiva popularidade como escritor e por uma estratégia de comunicação eficaz, o coloca em uma posição de destaque como potencial terceira via.
Ainda que os desafios sejam consideráveis, especialmente em relação à sua capacidade de competir com os grupos políticos mais estabelecidos em um eventual segundo turno, o avanço de Cury demonstra que o eleitorado está aberto a novas opções. Sua campanha terá que capitalizar sobre o apoio crescente e a fidelidade demonstrada por seus eleitores, ao mesmo tempo em que busca expandir sua base e refinar suas propostas políticas.
A análise contínua das pesquisas e o desenrolar da campanha serão cruciais para determinar se Augusto Cury conseguirá manter e ampliar sua relevância. Seu desempenho até o momento, no entanto, já o estabelece como um fator importante no xadrez político brasileiro, capaz de influenciar o debate e a dinâmica eleitoral nos próximos meses e anos.