Brasileiros em outras seleções: A Copa do Mundo de 2026 terá um toque verde e amarelo em equipes estrangeiras
A Copa do Mundo de 2026 promete ser histórica, não apenas por ser a primeira edição com 48 seleções, mas também pela presença de jogadores nascidos no Brasil defendendo outras nações. Enquanto a seleção brasileira se prepara para buscar o hexacampeonato, um grupo de atletas com raízes brasileiras estará em campo com outras bandeiras, representando países com os quais possuem laços familiares ou de residência.
A possibilidade de jogadores trocarem de seleção é regida por regras específicas da FIFA, que permitem essa transição desde que o atleta possua vínculos com o novo país, como ascendência (pais ou avós nascidos ali) ou tempo de residência, e não tenha disputado partidas oficiais pela equipe principal de sua nação de origem. Essa flexibilidade tem levado talentos brasileiros a brilhar em diferentes palcos internacionais.
Nomes como Jorginho (naturalizado italiano, mas com a Itália fora da Copa) e Thiago Alcântara (defendendo a Espanha) já são exemplos conhecidos dessa dinâmica. Para o mundial de 2026, a lista de brasileiros por outras seleções se expande, trazendo uma nova camada de interesse e rivalidade para o torneio. As informações foram divulgadas por portais esportivos especializados.
Matheus Nunes: O carioca que brilha com a camisa de Portugal
Um dos grandes destaques brasileiros em seleções estrangeiras é Matheus Nunes. Nascido no Rio de Janeiro, o volante de 27 anos já é uma peça fundamental na Seleção Portuguesa e disputará sua segunda Copa do Mundo. Sua trajetória no futebol europeu é marcada por um rápido crescimento e passagens por clubes de renome.
Nunes iniciou sua jornada na base em Portugal, passando por Ericeirense e Estoril Praia, onde fez sua estreia profissional. Em 2019, transferiu-se para o Sporting, conquistando o título da liga portuguesa na temporada 2020-21. O talento do meio-campista chamou a atenção do Wolverhampton, que o contratou em 2022, e na temporada seguinte, ele se juntou ao Manchester City, um dos gigantes do futebol inglês.
Pela Seleção Portuguesa, Matheus Nunes já acumula 19 partidas e dois gols. Ele esteve presente na Copa do Mundo de 2022 e na Eurocopa de 2024, consolidando-se como um jogador importante para o esquema tático português. Portugal fará sua estreia na Copa do Mundo de 2026 em 17 de junho, enfrentando a RD Congo.
Maurício: O talento paulista que defenderá o Paraguai
Outro nome que chama a atenção é Maurício, meia do Palmeiras. O jogador de 24 anos, nascido em São Paulo, foi convocado para representar a Seleção Paraguaia na Copa do Mundo de 2026. Sua trajetória profissional começou em 2019, no Cruzeiro, e passou pelo Internacional por quatro temporadas antes de chegar ao Palmeiras em 2024, onde rapidamente conquistou o Campeonato Paulista.
O caso de Maurício é particularmente interessante, pois ele já representou o Brasil em categorias de base, com convocações para as seleções Sub-20 e Sub-23. No entanto, sua forte ligação com o Paraguai, através de ascendência paterna, o levou a buscar a cidadania paraguaia. O processo foi iniciado em 2025 e concluído neste ano, abrindo as portas para sua convocação pelo técnico Gustavo Alfaro em março.
A estreia do Paraguai na Copa do Mundo de 2026 está marcada para o dia 12 de junho, contra os anfitriões Estados Unidos, em Los Angeles. A presença de Maurício adiciona um tempero especial ao confronto, com um jogador que conhece bem o futebol brasileiro defendendo uma seleção rival.
Lucas Mendes e Edmilson Júnior: Brasileiros no Catar
A Seleção do Catar, país-sede da Copa do Mundo de 2022, contará com dois jogadores nascidos no Brasil em seu elenco para a edição de 2026: o zagueiro Lucas Mendes e o ponta Edmilson Júnior.
Lucas Mendes, natural de Curitiba, construiu sua carreira no futebol catari desde 2014, quando se transferiu para o El Jaish. Desde então, ele passou por Al-Duhail e Al-Gharafa, antes de chegar ao seu clube atual, o Al-Wakrah. Sua adaptação e sucesso no país lhe renderam a oportunidade de defender a seleção nacional.
Já Edmilson Júnior tem uma história diferente. Nascido em Liège, na Bélgica, ele é filho do ex-jogador Edmilson Paulo, que teve passagem pelo futebol belga. Edmilson Júnior atua no Al-Duhail desde 2018 e nunca jogou profissionalmente no Brasil. Sua convocação para a seleção catari demonstra a globalização do futebol e a busca por talentos em diversas partes do mundo.
A estreia do Catar na Copa do Mundo de 2026 está agendada para o dia 13 de junho, enfrentando a Suíça em Santa Clara. A presença de Lucas Mendes e Edmilson Júnior na equipe asiática reforça a diversidade de nacionalidades e histórias que compõem o cenário do futebol mundial.
A regra da FIFA que permite a troca de seleções
A possibilidade de jogadores nascidos em um país defenderem outra seleção nacional é amparada por regras específicas da FIFA, estabelecidas para garantir a integridade e a diversidade das competições. Um atleta pode trocar de associação nacional sob certas condições, que visam assegurar um vínculo genuíno com o novo país.
As principais diretrizes incluem ter laços de nacionalidade, como pais ou avós nascidos no território do país que se deseja representar. Além disso, um período de residência no país também pode ser um fator determinante. Crucialmente, para que a troca seja válida, o jogador não pode ter disputado nenhuma partida oficial pela equipe principal da seleção de seu país de origem.
Essas regras, que já permitiram casos como o de Jorginho (naturalizado italiano) e Thiago Alcântara (espanhol de origem brasileira), abrem caminho para que talentos como Matheus Nunes, Maurício, Lucas Mendes e Edmilson Júnior possam competir em Copas do Mundo por nações que não são as de seu nascimento, enriquecendo o espetáculo com diferentes estilos e histórias.
O impacto da presença de brasileiros em outras seleções
A participação de jogadores nascidos no Brasil defendendo outras seleções na Copa do Mundo de 2026 traz diversas camadas de interesse para o torneio. Para os países que os convocam, representa a aquisição de talentos com uma base sólida de formação no futebol brasileiro, conhecido mundialmente por sua excelência.
Para os próprios atletas, é a realização de um sonho de disputar o maior torneio de futebol do mundo, muitas vezes através de caminhos que não seriam possíveis se dependessem apenas da convocação para a seleção brasileira. A oportunidade de representar um país com o qual se tem um forte vínculo afetivo ou familiar também é um fator motivador.
Do ponto de vista tático, a presença desses jogadores pode trazer novas dinâmicas para as equipes. O estilo de jogo brasileiro, frequentemente associado à criatividade e ao talento individual, pode influenciar a forma como essas seleções se apresentam em campo. Para os torcedores brasileiros, assistir a esses atletas em ação contra a própria seleção pode gerar um misto de orgulho e rivalidade, adicionando um tempero extra à competição.
O futuro da representação nacional no futebol
A tendência de jogadores nascidos em um país defenderem outras seleções parece ser uma realidade cada vez mais presente no futebol moderno. Com a globalização do esporte e a facilidade de circulação de pessoas, os laços familiares e de residência se tornam mais complexos e multifacetados.
As regras da FIFA, embora busquem manter a autenticidade dos vínculos, refletem essa nova realidade. É provável que vejamos um número crescente de atletas com múltiplas nacionalidades atuando por diferentes seleções, o que pode tanto enriquecer o nível técnico das competições quanto gerar debates sobre a identidade nacional no esporte.
A Copa do Mundo de 2026 será um palco importante para observar essa evolução. A presença de brasileiros em seleções como Portugal, Paraguai e Catar não é apenas uma curiosidade, mas um reflexo das transformações que moldam o futebol global, onde o talento e a paixão pelo esporte transcendem fronteiras e origens.