Brasileiros Priorizam Tecnologia e IA no Combate à Criminalidade, Aponta Pesquisa
Em um cenário de crescentes preocupações com a segurança pública, a maioria dos brasileiros demonstra um forte apoio à incorporação de tecnologias, especialmente a inteligência artificial (IA), como ferramenta fundamental na luta contra a criminalidade e a violência. Uma pesquisa nacional realizada pela Quaest em parceria com a Pax, empresa especializada em IA para segurança pública, revela que 86% dos entrevistados aprovam o uso de inteligência artificial para combater a violência, um tema apontado pela maioria como o principal problema do país.
A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (18), destaca que a violência ainda lidera o ranking de preocupações dos cidadãos, com 28% das menções, seguida pela corrupção (22%), economia (19%) e saúde (15%). Diante desse cenário, a tecnologia surge como uma esperança, com 93% dos entrevistados considerando câmeras integradas à inteligência artificial e ao trabalho policial uma medida efetiva.
Esses dados, coletados por meio de entrevistas face a face com 2.004 brasileiros maiores de 16 anos entre 12 e 15 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e taxa de confiança de 95%, indicam uma clara demanda popular por soluções tecnológicas inovadoras e eficientes para a segurança pública, conforme informações divulgadas pela Quaest e Pax.
Violência Lidera Preocupações Nacionais, Superando Corrupção e Economia
A percepção da violência como o principal flagelo do Brasil é um dado recorrente e reforçado pela pesquisa Pax/Quaest. Com 28% das respostas, a violência se consolida como a maior preocupação dos cidadãos, um reflexo da insegurança que afeta o cotidiano de muitos brasileiros. Este índice é significativamente maior do que o de outros problemas graves, como a corrupção, que aparece em segundo lugar com 22% das menções.
A economia, fundamental para o bem-estar social, ocupa a terceira posição com 19%, enquanto a saúde, tema de grande relevância, especialmente em períodos pós-pandemia, surge com 15%. Outras questões importantes, como desemprego e educação, aparecem com 5% cada, demonstrando a magnitude da preocupação com a segurança. Apenas 1% dos entrevistados citou a infraestrutura como o principal problema, e 2% mencionaram outros problemas não especificados, com 4% sem resposta.
A predominância da violência como preocupação central sugere que as atuais políticas de segurança pública podem não estar atingindo o nível de efetividade desejado pela população, abrindo espaço para a discussão e a adoção de novas abordagens, como as propostas pela pesquisa.
Aprovação Massiva para Uso de IA e Câmeras na Segurança Pública
A pesquisa detalha a alta aprovação da população em relação a aplicações específicas da inteligência artificial na segurança. O uso de câmeras integradas à IA para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas lidera o ranking, com impressionantes 97% de aprovação. Em seguida, vêm a identificação de veículos roubados ou utilizados em crimes e a localização de foragidos da Justiça, com 96% de aceitação.
O reconhecimento facial com IA em locais de grande circulação, como estádios e áreas comerciais, também conta com um apoio expressivo de 91%. A proteção de fronteiras e o combate a facções criminosas por meio de IA recebem 90% de aprovação. Esses números demonstram que os brasileiros não apenas apoiam a ideia geral de uso de tecnologia, mas também confiam em suas aplicações práticas para resolver problemas concretos de segurança.
A eficácia percebida dessas ferramentas tecnológicas é um fator chave para essa alta aprovação. A capacidade da IA de processar grandes volumes de dados e identificar padrões em tempo real oferece uma nova perspectiva para as forças de segurança, prometendo agilidade e precisão em suas operações.
Aplicações Concretas da IA: Do Combate ao Crime à Busca por Desaparecidos
O apoio popular à inteligência artificial na segurança pública não se restringe a conceitos abstratos, mas se estende a suas aplicações mais diretas e impactantes. A pesquisa evidencia que os cidadãos veem na tecnologia um aliado poderoso para lidar com diversas facetas da criminalidade e da desordem social.
A capacidade de câmeras com IA auxiliarem na localização de pessoas desaparecidas, com 97% de aprovação, ressalta o potencial humanitário da tecnologia. Da mesma forma, a identificação de veículos roubados ou usados em crimes (96%) e a captura de foragidos (96%) demonstram o papel crucial da IA no desmantelamento de redes criminosas e na prevenção de novos delitos.
O uso de reconhecimento facial em locais de grande aglomeração (91%) e a vigilância em fronteiras e o combate a facções (90%) complementam o quadro de um apoio massivo a uma estratégia de segurança pública que integre o que há de mais avançado em tecnologia. Essa visão é compartilhada por especialistas, que veem a IA como um multiplicador de força para as polícias.
Resistências à IA: Privacidade e Eficácia Geram Dúvidas em Minoria
Apesar da aprovação avassaladora, uma pequena parcela da população ainda expressa receios quanto ao uso de ferramentas de IA na segurança. Os principais motivos apontados por essa minoria incluem o risco de erros na identificação de pessoas (16%), dúvidas sobre a real eficácia da tecnologia (15%) e o temor de invasão de privacidade (12%).
Essas preocupações, embora minoritárias, são relevantes e indicam a necessidade de um diálogo aberto e transparente sobre os limites e as salvaguardas necessárias para a implementação dessas tecnologias. A garantia da proteção de dados e a minimização de vieses algorítmicos são aspectos cruciais para construir e manter a confiança pública.
O diretor de Inteligência em Opinião da Quaest, Guilherme Russo, destaca que a pesquisa confirma a preocupação com a segurança e a abertura dos brasileiros a novas soluções, mas também sinaliza a importância de abordar as inquietações existentes para uma adoção responsável da tecnologia.
Tecnologia Como Ferramenta de Apoio Policial e Redução da Violência
A pesquisa Pax/Quaest reforça a ideia de que a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, não deve substituir o trabalho humano, mas sim potencializá-lo. David Peixoto, cofundador e diretor-executivo da Pax, enfatiza que a IA torna o trabalho policial mais rápido, preciso e efetivo, ao cruzar dados em tempo real e identificar padrões que poderiam passar despercebidos.
A plataforma da Pax, por exemplo, integra dados como imagens de câmeras, boletins de ocorrência e mandados de prisão para fornecer pistas às forças policiais. Essa abordagem integrada é vista como uma nova oportunidade para combater o problema da violência no país, e a pesquisa demonstra que os brasileiros não querem que os governos ignorem esse potencial.
A crença na eficácia da tecnologia é tão forte que 93% dos entrevistados consideram as câmeras de monitoramento com IA uma solução para diminuir a violência, um índice igual ao que aponta a necessidade de melhor educação e mais oportunidades para os jovens como forma de reduzir a criminalidade. Isso sugere que a população enxerga um leque de soluções, onde a tecnologia ocupa um papel de destaque.
Soluções Diversificadas para a Segurança Pública: Tecnologia, Punição e Policiamento
A visão dos brasileiros sobre como melhorar a segurança pública é multifacetada, combinando o avanço tecnológico com medidas tradicionais. Enquanto 93% apoiam o uso de câmeras com IA, um percentual igualmente alto (93%) acredita que educação de qualidade e mais oportunidades para jovens são essenciais para a redução da criminalidade. Isso demonstra uma compreensão de que a segurança é um problema complexo, com raízes sociais e que exige abordagens integradas.
O endurecimento das leis e a punição mais rigorosa dos criminosos também são vistos como medidas efetivas, com 92% de aprovação. Paralelamente, o aumento do policiamento ostensivo e o investimento em inteligência policial com uso de tecnologia são apoiados por 90% dos entrevistados. Essa convergência de opiniões indica que a população busca um pacote completo de ações para garantir a tranquilidade pública.
A pesquisa também revela um apoio significativo a ações mais contundentes contra organizações criminosas. Megaoperações em comunidades são apoiadas por 80% dos entrevistados, e a criação de um Ministério da Segurança Pública é vista como positiva por 78%. Finalmente, 58% são a favor da restrição de acesso a armas de fogo, o que aponta para um debate em andamento sobre os métodos mais eficazes para garantir a paz social.
Percepção de Aumento da Violência e Necessidade de Punição Mais Eficaz
A pesquisa Pax/Quaest também mergulha na percepção da população sobre a evolução da violência no país. Uma maioria expressiva, 70% dos entrevistados, acredita que a violência aumentou muito nos últimos dois anos. Para 9%, o aumento foi pouco, enquanto 15% consideram que o cenário permaneceu o mesmo. Apenas 5% percebem uma diminuição, seja ela pouca (4%) ou muita (1%).
As razões para esse aumento percebido são variadas. 73% atribuem o cenário ao aumento da quantidade e da gravidade dos crimes, com 14% focando no aumento do volume e 12% na maior violência dos atos em si. Essa percepção de um ambiente mais perigoso e imprevisível reforça a urgência de soluções eficazes.
Em relação à justiça, 67% dos entrevistados acreditam que a punição para criminosos diminuiu nos últimos anos, enquanto 22% pensam o contrário. Essa percepção de impunidade pode alimentar o ciclo de violência e justificar a demanda por um sistema de justiça mais célere e eficaz, onde a tecnologia pode desempenhar um papel importante na agilização de investigações e processos.
O Futuro da Segurança Pública: Tecnologia Aliada a Políticas Sociais e Repressivas
A pesquisa Pax/Quaest desenha um panorama onde a população brasileira clama por mais segurança e vê na tecnologia, especialmente na inteligência artificial, uma aliada poderosa. No entanto, a demanda por soluções vai além do uso de câmeras e algoritmos, englobando também a necessidade de políticas sociais, como educação e oportunidades para jovens, e medidas repressivas, como leis mais rígidas e policiamento intensificado.
A alta aprovação para o uso de IA em diversas frentes da segurança pública demonstra uma confiança crescente nas capacidades dessa tecnologia. A integração entre IA, dados existentes e o trabalho policial é vista como um caminho promissor para enfrentar um problema que aflige a maioria dos brasileiros. A abertura para o diálogo sobre os receios em relação à privacidade e à precisão das ferramentas é um sinal de maturidade social, indicando que o caminho para a adoção plena da tecnologia passa pela construção de confiança e pela garantia de direitos.
Em suma, o cenário aponta para um futuro onde a segurança pública será cada vez mais pautada pela inovação tecnológica, mas sempre em consonância com as demandas sociais e a necessidade de um sistema de justiça eficaz. A mensagem clara da população é que os governos devem aproveitar essa oportunidade e investir em soluções que tragam resultados concretos para o combate à violência e à criminalidade.