O cenário musical e político da Espanha foi abalado por graves acusações contra Julio Iglesias, um dos artistas mais icônicos do país. Duas ex-funcionárias, identificadas pelos nomes fictícios Laura e Rebeca, estão no centro de uma investigação que promete ser um dos maiores escândalos envolvendo celebridades.

Elas se preparam para prestar depoimento à Promotoria espanhola, detalhando um período de intensas violações que teriam ocorrido entre janeiro e outubro de 2021. As alegações incluem desde tráfico de pessoas com fins de imposição de trabalho forçado e servidão até crimes contra a liberdade e a dignidade sexual, como assédio sexual, além de lesões e crimes contra os direitos dos trabalhadores.

Conforme informações divulgadas pela Anistia Internacional e Women’s Link, em colaboração com a organização de Ríos Cisnero, esses fatos foram levados ao conhecimento da Promotoria em 5 de janeiro, desencadeando uma profunda investigação.

Detalhes das Acusações e o Cotidiano Allegado

As ex-funcionárias, Laura e Rebeca, teriam vivenciado múltiplas e distintas formas de violência, sexual, psicológica, física e financeira, por parte de Julio Iglesias. O relato coletado pelas duas organizações aponta para um ambiente de controle e abuso.

Segundo o depoimento, o cantor, de 82 anos, as teria agredido e assediado sexualmente, verificado regularmente seus celulares e proibido que saíssem da casa onde trabalhavam. Além disso, as ex-funcionárias eram supostamente exigidas a cumprir jornadas de até 16 horas por dia, sem dias de descanso e sem contrato de trabalho.

A Escolha da Justiça Espanhola e o Prazo da Promotoria

A denúncia foi apresentada na Espanha, e não nos países onde os fatos teriam ocorrido, porque a legislação espanhola pode ser uma opção interessante para dar acesso à justiça a essas mulheres, explicou Gema Fernández, da Women’s Link. A organização de Ríos Cisnero também revelou ter sido contatada por outras mulheres que alegam ter sido trabalhadoras do denunciado.

A Promotoria espanhola tem um prazo inicial de seis meses, prorrogável por mais seis, para decidir se arquiva o caso ou se prossegue com a investigação. Este período é crucial para a coleta de provas e depoimentos que definirão o futuro das acusações graves contra Julio Iglesias.

Repercussão Política e o Silêncio do Cantor

A revelação das acusações contra Julio Iglesias despertou uma intensa onda de reações em toda a Espanha. A ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, avaliou na Televisão Espanhola que a investigação dá medo, pânico, expressando sua condenação categórica aos fatos e apoio imediato às denunciantes.

Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, principal força da oposição, declarou estar muito surpreso pelas informações. Em entrevista à Telecinco, ele qualificou as denúncias como muito graves e indicou que é necessário que essa investigação na Promotoria da Audiência Nacional seja feita, para que nos digam exatamente o que há, se é que há algo.

Até o momento, Julio Iglesias não respondeu aos pedidos de resposta da Univisión, do elDiario.es e da AFP, que tentaram contatá-lo. O silêncio do cantor diante das acusações graves adiciona mais um elemento de incerteza a este caso de grande repercussão internacional.

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