Balanços do 2º Trimestre de 2026: Um Raio-X Detalhado do Desempenho de Empresas da B3
A reta final da temporada de divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026 na B3 trouxe um panorama diversificado do desempenho das companhias brasileiras. Além das empresas de maior peso no Ibovespa, diversas outras companhias listadas apresentaram seus números, revelando estratégias e desafios em um cenário econômico dinâmico.
Entre as empresas que divulgaram seus balanços, destacam-se Multilaser (MLAS3), Desktop (DESK3), Vittia (VITT3), GPS (GGPS3), Track&Field (TFCO4), Melnick (MELK3), Time For Fun (SHOW3), Log-In (LOGN3) e Mahle Metal Leve (LEVE3). Os resultados variam significativamente, com algumas empresas demonstrando forte crescimento e outras enfrentando retrações, refletindo as particularidades de seus setores e a conjuntura macroeconômica.
As divulgações oferecem insights valiosos sobre a saúde financeira das corporações, a eficácia de suas gestões e as perspectivas futuras. Analisar esses números é fundamental para investidores, analistas e para o mercado em geral, pois permite compreender as tendências que moldam a economia brasileira. Conforme informações divulgadas pelas próprias companhias e acompanhadas pelo mercado financeiro.
Allied (ALLD3): Lucro Dobra e Margens Avançam Significativamente
A Allied apresentou um desempenho expressivo no segundo trimestre de 2026, com um lucro líquido de R$ 36,6 milhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, o que representa um crescimento de 130,8%. Esse avanço robusto foi acompanhado por uma expansão considerável da margem líquida, que saltou de 1,1% para 2,5%.
A receita líquida da empresa atingiu R$ 1,46 bilhão, um aumento de 4,7% na comparação anual. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela performance positiva dos segmentos de Distribuição Brasil e Varejo Físico, demonstrando a força dessas áreas de atuação para a companhia.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também registrou uma alta expressiva de 37%, totalizando R$ 73,8 milhões. A margem EBITDA avançou de 3,9% para 5,1%, resultado da expansão da margem bruta e de um controle eficiente das despesas operacionais, evidenciando a capacidade da Allied de otimizar seus custos e aumentar sua rentabilidade.
Moura Dubeux (MDNE3): Lucro Líquido Recorde Impulsionado por Receitas e Margens
A Moura Dubeux celebrou um segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorde de R$ 173,9 milhões, um crescimento notável de 44,6% em relação ao mesmo período de 2025. A margem líquida da incorporadora também apresentou uma evolução significativa, passando de 18,1% para 23,8%, o que demonstra uma maior eficiência na conversão de suas receitas em lucro.
A receita líquida totalizou R$ 731,1 milhões, registrando um aumento de 10% na comparação anual. Esse desempenho foi beneficiado pela maior contribuição do modelo de condomínio e pelo reconhecimento de receitas provenientes da comercialização de terrenos, estratégias que têm se mostrado eficazes para a empresa.
O EBITDA ajustado alcançou R$ 178,8 milhões, com um crescimento de 34,7% frente ao ano anterior. A margem EBITDA ajustada atingiu 24,5%, um avanço de 4,5 pontos percentuais. Adicionalmente, a Moura Dubeux encerrou o trimestre com uma dívida líquida extremamente controlada, de apenas R$ 56,3 milhões, representando apenas 2,5% do seu patrimônio líquido, o que confere grande solidez financeira à companhia.
Kepler Weber (KEPL3): Queda no Lucro e Receita Afetadas por Juros Elevados
A Kepler Weber, por outro lado, enfrentou um cenário de retração em seus resultados no segundo trimestre de 2026. O lucro líquido foi de R$ 6,3 milhões, uma queda expressiva de 56,1% em comparação com o mesmo período de 2025. A margem líquida também recuou de 4,6% para 2,1%, reflexo de um menor nível de atividade e da pressão sobre as margens operacionais.
A receita líquida somou R$ 299,1 milhões, uma retração de 3,9% na base anual. Embora os segmentos de Agroindústrias (+17,9%) e Reposição & Serviços (+5,0%) tenham apresentado crescimento, não foram suficientes para compensar a fraqueza do segmento de Fazendas. Este último foi impactado negativamente pelo ambiente de juros elevados e crédito mais restritivo, fatores que afetam diretamente o poder de investimento em grandes projetos de infraestrutura.
O EBITDA atingiu R$ 25,9 milhões, uma queda de 31,7% frente ao 2T25. A margem EBITDA recuou de 12,2% para 8,7%, pressionada pelo mix de receitas e pela menor diluição dos custos fixos, indicando a necessidade de a empresa buscar novas estratégias para otimizar sua rentabilidade em um cenário desafiador.
Unifique (FIQE3): Crescimento na Receita, Mas Margem Líquida Recua
A Unifique registrou um lucro líquido de R$ 45,9 milhões no segundo trimestre de 2026, um resultado praticamente estável em relação ao mesmo trimestre de 2025, com um leve crescimento de 1,5%. No entanto, a margem líquida apresentou uma queda, passando de 15,8% para 13,3%, o que sugere uma pressão sobre a rentabilidade da empresa em relação à sua receita.
A receita operacional líquida atingiu R$ 344,7 milhões, um aumento de 20,5% na comparação anual. Esse crescimento robusto foi impulsionado principalmente pela expansão das operações móveis, pela aquisição da iSUPER Telecom e pelo avanço das receitas de TV e mídia, demonstrando a estratégia de diversificação e consolidação da Unifique no mercado de telecomunicações.
O EBITDA totalizou R$ 169 milhões, um avanço de 17,5% frente ao 2T25, com a margem EBITDA em 49,0%, uma redução de 1,3 ponto percentual na comparação anual. O conceito ajustado do EBITDA também apresentou crescimento de 17,7%. Operacionalmente, a companhia encerrou o trimestre com 909,4 mil acessos de banda larga (+11,4%) e 337,7 mil acessos móveis (+98,6%), reforçando sua estratégia de convergência entre fibra e telefonia móvel.
Vittia (VITT3): Melhora no Prejuízo e Destaque para Soluções Biológicas
A Vittia reportou um prejuízo líquido ajustado de R$ 17,4 milhões no segundo trimestre de 2026, o que representa uma melhora de 17,8% em relação ao prejuízo de R$ 21,2 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. A margem líquida ajustada também apresentou evolução, passando de -21,4% para -15,3%.
A receita líquida totalizou R$ 114 milhões, um crescimento de 15,1% na comparação anual. Um dos destaques foi a divisão de Soluções Biológicas e Naturais, cuja receita avançou 34,5%, enquanto Fertilizantes de Solo cresceram 30%, indicando uma forte demanda por produtos mais sustentáveis e eficazes no agronegócio.
O EBITDA ajustado permaneceu negativo em R$ 16,8 milhões, mas também apresentou melhora de 19,0% frente ao 2T25. A margem EBITDA ajustada evoluiu de -21,0% para -14,8%. Um ponto forte do trimestre foi a geração de caixa, com R$ 102,6 milhões de caixa operacional no primeiro semestre (+42,3%), encerrando junho com dívida líquida de R$ 96,4 milhões e alavancagem de apenas 0,86 vez EBITDA ajustado, demonstrando um controle financeiro eficaz.
Desktop (DESK3): Lucro Líquido Ajustado Cai, Mas Margem EBITDA Cresce
A Desktop registrou um lucro líquido ajustado de R$ 29,2 milhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 17% em relação ao mesmo período de 2025. A margem líquida ajustada recuou de 12% para 9%, impactada pelo aumento das despesas financeiras e da depreciação e amortização.
A receita líquida consolidada alcançou R$ 322 milhões, um crescimento de 8% na comparação anual. Esse avanço foi sustentado pela expansão do ticket médio, pelo crescimento do segmento B2B e pela maior participação de serviços adicionais, demonstrando a capacidade da empresa em agregar valor aos seus clientes.
O EBITDA ajustado somou R$ 172,4 milhões, com alta de 12% na base anual. A margem EBITDA ajustada atingiu 54%, com expansão de 2 pontos percentuais ante o 2T25. Esse resultado reflete menor despesa comercial, otimização da estrutura de pessoal e redução dos gastos com serviços de terceiros. A companhia também destacou a melhora na geração de caixa, com fluxo de caixa operacional ajustado crescendo 16% e capex ajustado caindo 35%, favorecendo a desalavancagem.
Grupo Multi (MLAS3): Lucro Salta Quase 620% e Empresa Reverte Dívida em Caixa Líquido
O Grupo Multi apresentou um desempenho espetacular no segundo trimestre de 2026, com um lucro líquido de R$ 142,2 milhões, um salto de 619,1% em relação aos R$ 19,8 milhões reportados um ano antes. A margem líquida avançou de 2,1% para 14,8%, evidenciando uma recuperação e crescimento expressivos na rentabilidade.
A receita líquida somou R$ 959,8 milhões, um crescimento de 3,2% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo segmento corporativo, cuja receita cresceu 29,4%, compensando a estratégia mais seletiva nas divisões voltadas ao consumo. O EBITDA atingiu R$ 119,2 milhões, alta de 286,6% frente ao 2T25, com margem EBITDA subindo de 3,3% para 12,4%.
Um dos maiores destaques foi a posição financeira: a companhia encerrou junho com caixa líquido de R$ 405,9 milhões, revertendo uma dívida líquida de R$ 157,9 milhões observada no 2T25. A dívida bruta caiu 43,4% em um ano. No entanto, a administração alertou para uma possível compressão de margens no segundo semestre devido à alta dos custos globais de componentes e frete marítimo.
Grupo GPS (GGPS3): Crescimento Robusto com Impacto de Reversão de Provisões
O Grupo GPS reportou um lucro líquido de R$ 378 milhões no segundo trimestre de 2026, um aumento expressivo de 204% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A companhia destacou que parte desse resultado foi beneficiado pela reversão de provisões ligadas ao tema do Sistema S, que gerou um impacto positivo líquido de cerca de R$ 230 milhões no trimestre.
Desconsiderando esse efeito extraordinário, o lucro líquido ajustado ex-Sistema S foi de R$ 180 milhões, um avanço de 16% na base anual. O lucro líquido ajustado totalizou R$ 410 milhões, crescimento de 163% ante o 2T25. A receita líquida atingiu R$ 4,598 bilhões, crescimento de 7% em relação ao 2T25, impulsionada pelo avanço das operações recorrentes e pela contribuição de aquisições realizadas em 2025.
O EBITDA ajustado ex-IFRS16 somou R$ 445 milhões, alta de 10% na comparação anual, enquanto a margem EBITDA avançou 0,3 ponto percentual, para 9,7%. O desempenho demonstra a força do Grupo GPS em seus mercados de atuação, mesmo com a ressalva sobre o impacto de itens não recorrentes.
Track&Field (TFCO4): Lucro e Receita Crescem, Mas Margem Líquida Ajustada Diminui
A Track&Field registrou um lucro líquido ajustado de R$ 44,3 milhões no segundo trimestre de 2026, um aumento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, a margem líquida ajustada apresentou uma leve queda, diminuindo 1,1 ponto percentual para 15,8%. O lucro líquido contábil foi de R$ 37,1 milhões, crescimento de 9,2% na comparação anual.
A receita líquida consolidada alcançou R$ 279,7 milhões, um avanço de 15,5% sobre o 2T25. Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo forte crescimento dos negócios de franquias, com alta de 24,2% nas receitas de royalties e de 21,5% nas vendas de mercadorias para franqueados, demonstrando a força do seu modelo de expansão.
O EBITDA ajustado somou R$ 65,6 milhões, crescimento de 15,9% ano a ano, enquanto a margem EBITDA ajustada ficou praticamente estável em 23,5%, com uma alta de 0,1 ponto percentual. O resultado demonstra a resiliência da marca e sua capacidade de crescimento através da rede de franquias.
Melnick (MELK3): Lucro Cai, Mas Margens Bruta e EBITDA Ajustado Avançam
A Melnick encerrou o segundo trimestre de 2026 com um lucro líquido de R$ 34,1 milhões, uma queda de 13,1% em relação ao 2T25. Apesar da retração do lucro nominal, a margem líquida antes da participação dos minoritários avançou para 18,6%, ante 14,8% um ano antes, indicando uma melhoria na eficiência operacional.
A receita líquida somou R$ 271,1 milhões no período, um recuo de 19,8% frente ao mesmo trimestre de 2025. O lucro bruto atingiu R$ 67,2 milhões, com margem bruta ajustada de 30,9%, 1,1 ponto percentual superior à registrada no ano anterior. O EBITDA ajustado alcançou R$ 56,2 milhões, um avanço de 20% na comparação anual, enquanto a margem EBITDA ajustada subiu para 20,7%, ante 13,8% no 2T25, demonstrando uma gestão de custos e despesas mais eficiente.
MAHLE Metal Leve (LEVE3): Lucro Cresce 26%, Impulsionado por Melhoria Operacional
A MAHLE Metal Leve reportou um lucro líquido de R$ 159,6 milhões no segundo trimestre de 2026, um aumento de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pela melhora operacional e pela forte redução das despesas financeiras, fatores que contribuíram significativamente para a rentabilidade.
A receita líquida somou R$ 1,33 bilhão, uma queda de 2,7% na comparação anual, refletindo principalmente o desempenho mais fraco das exportações e do mercado de reposição. Apesar disso, a companhia conseguiu expandir suas margens por meio de ganhos de produtividade e disciplina de custos. O EBITDA ajustado atingiu R$ 273,8 milhões, avanço de 4,9% ante o 2T25, enquanto a margem EBITDA ajustada subiu de 19,1% para 20,5%. A margem bruta também avançou, de 27,2% para 28,9%.
Log-In (LOGN3): Lucro Dispara Com Venda de Navios, Mas EBITDA Cai
A Log-In apresentou um lucro líquido de R$ 133,2 milhões no 2T26, um salto de 431% frente ao lucro de R$ 25,1 milhões registrado um ano antes. O resultado foi beneficiado principalmente pelo ganho com a venda dos navios Log-In Pantanal e Log-In Resiliente, um evento não recorrente que inflou o resultado final.
A receita operacional líquida consolidada alcançou R$ 777,1 milhões, crescimento de 5,1% na comparação anual, impulsionada sobretudo pelo forte desempenho do Terminal de Vila Velha (TVV). No entanto, o EBITDA ajustado ficou em R$ 113,9 milhões, uma queda de 37,2% frente ao 2T25, e a margem EBITDA ajustada recuou de 24,5% para 14,7%. Segundo a companhia, o resultado operacional foi pressionado pelo menor desempenho da Navegação Costeira, especialmente no segmento Feeder, além dos efeitos da desvalorização cambial.
T4F (SHOW3): Prejuízo Amplia com Redução Drástica de Eventos
A T4F registrou um prejuízo líquido de R$ 14,6 milhões no segundo trimestre de 2026, uma piora significativa em relação ao prejuízo de R$ 0,1 milhão observado no mesmo período de 2025. A receita líquida totalizou R$ 23,8 milhões, uma redução de 56% na comparação anual.
Essa queda drástica na receita reflete um calendário mais enxuto de eventos próprios. No trimestre, a companhia promoveu apenas um evento, contra seis um ano antes, o que impactou diretamente seus resultados. O EBITDA ficou negativo em R$ 6,2 milhões, ante resultado positivo de R$ 3,1 milhões no 2T25. Com isso, a margem EBITDA passou de 5,8% para negativos 26%. A margem bruta também recuou, de 24,3% para 16,2%, pressionada pela forte retração de receitas, evidenciando os desafios enfrentados pela empresa no período.