PF cumpre mandados no Rio e DF em investigação sobre R$ 3 bilhões aplicados no Banco Master
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (26) a oitava fase da Operação Compliance Zero, voltada a desvendar um esquema de crimes financeiros envolvendo o Banco Master. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão, com alvos principais no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. No Rio, as investigações concentram-se em aplicações de R$ 3 bilhões do fundo de pensão dos servidores estaduais, o Rioprevidência, em produtos financeiros associados ao banco.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), é um dos focos da operação. A PF busca apurar a legalidade de investimentos realizados pelo Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em 2025. A investigação parte de desdobramentos da Operação Barco de Papel, que já havia identificado aportes suspeitos de centenas de milhões de reais em Letras Financeiras emitidas pela instituição.
A suspeita central é de que o Banco Master tenha inflado o valor de carteiras de crédito e fundos para apresentar uma falsa solidez financeira, atraindo investimentos públicos e privados. A PF investiga se ativos de alto risco ou de difícil recuperação foram registrados por valores superiores aos reais, mascarando a real situação do banco. As informações são da Polícia Federal.
Operação Compliance Zero: o que apura a PF
A Operação Compliance Zero, em sua oitava fase, intensifica a apuração de um complexo esquema de crimes financeiros que tem como epicentro o Banco Master. A ação desta terça-feira (26) resultou no cumprimento de dez mandados de busca e apreensão, concentrados nas regiões do Rio de Janeiro e do Distrito Federal. O objetivo é coletar evidências que sustentem as suspeitas de irregularidades em operações financeiras que teriam lesado investidores e o patrimônio público.
A investigação é um desdobramento direto da Operação Barco de Papel, que anteriormente já havia levantado bandeiras vermelhas sobre a gestão de recursos e a transparência das operações do Banco Master. Naquela ocasião, foram identificados aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas por um banco privado, totalizando cerca de R$ 970 milhões. Esses investimentos ocorreram entre outubro de 2023 e julho de 2024, um período considerado crítico pela investigação.
A nova fase da operação foca em um montante ainda maior: aproximadamente R$ 3 bilhões que foram aplicados pelo Rioprevidência em produtos financeiros diretamente ligados ao Banco Master. A PF busca esclarecer os motivos que levaram a tamanha concentração de recursos públicos em uma única instituição financeira, especialmente após as suspeitas já levantadas em fases anteriores da investigação.
Banco Master: Histórico de suspeitas e liquidação pelo Banco Central
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, teve sua trajetória marcada por investigações e, por fim, pela liquidação decretada pelo Banco Central em 2025. Antes da intervenção, a instituição financeira já era alvo de escrutínio por parte de órgãos reguladores e da própria Polícia Federal devido a práticas consideradas arriscadas e carentes de transparência.
As suspeitas giravam em torno da estruturação de operações financeiras que, segundo os investigadores, visavam apresentar uma imagem de solidez que não condizia com a realidade. Uma das linhas de investigação aponta para a suposta prática de inflar o valor de carteiras de crédito e de fundos de investimento associados ao banco. O objetivo seria criar uma percepção de maior robustez financeira, atraindo assim mais investimentos, incluindo recursos de fundos públicos.
A metodologia investigada consistiria em registrar ativos de difícil recebimento ou com alto risco por valores superiores aos seus reais. Essa prática, se comprovada, poderia mascarar a saúde financeira do banco, levando investidores, tanto privados quanto públicos, a tomar decisões baseadas em informações distorcidas. A liquidação pelo Banco Central, embora posterior a parte das operações sob investigação, reforça o contexto de fragilidade e as preocupações regulatórias em torno da instituição.
Rioprevidência: O Fundo de Pensão sob os holofotes
O Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro) está no centro das investigações da Polícia Federal nesta nova fase da Operação Compliance Zero. Este fundo é responsável pela administração dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro, um montante de grande vulto e de extrema importância social.
A investigação apura a destinação de cerca de R$ 3 bilhões dos recursos do Rioprevidência para aplicações em produtos financeiros diretamente ligados ao Banco Master. É praxe que parte dos fundos de previdência seja investida no mercado financeiro com o objetivo de gerar rentabilidade e garantir a sustentabilidade do sistema de aposentadorias. No entanto, a PF busca entender os motivos que levaram a uma concentração tão expressiva de capital público em fundos associados a uma instituição que já era alvo de investigações por práticas financeiras suspeitas.
A preocupação central reside em determinar se houve irregularidades, como favorecimento indevido ou má gestão, que pudessem ter resultado em perdas financeiras para o fundo e, consequentemente, para os futuros beneficiários. A análise detalhada desses investimentos visa identificar se os princípios de prudência e segurança na gestão de recursos públicos foram respeitados.
O principal alvo no Rio de Janeiro: Cláudio Castro
No Rio de Janeiro, as ações da Polícia Federal nesta terça-feira (26) tiveram como um de seus principais alvos o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). A investigação busca conexões entre as atividades do governo estadual, especialmente no que tange à gestão do Rioprevidência, e as operações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master.
A PF apura a possível prática de crimes no âmbito do Rioprevidência, o fundo que administra as aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. A relação entre o governo do estado, a gestão do fundo e os investimentos realizados no Banco Master é o foco central. Investigadores buscam entender se houve alguma influência ou decisão governamental que tenha facilitado ou direcionado os R$ 3 bilhões do Rioprevidência para os produtos financeiros ligados à instituição bancária.
A participação de Cláudio Castro, na qualidade de ex-governador, sugere que a investigação pode estar buscando responsabilidades em instâncias superiores de decisão. A PF pretende esclarecer se, durante sua gestão, houve falhas de supervisão, omissão ou mesmo participação direta em decisões que resultaram na aplicação dos vultosos recursos do fundo de pensão em um banco posteriormente liquidado por irregularidades.
Aportes Suspeitos e a Conexão com a Operação Barco de Papel
A investigação atual, que culminou na oitava fase da Operação Compliance Zero, tem suas raízes fincadas na Operação Barco de Papel. Esta operação anterior já havia levantado sérias suspeitas sobre a aplicação de recursos públicos em produtos financeiros de risco e pouca transparência, com destaque para as Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Conforme detalhado pela Polícia Federal, a Operação Barco de Papel identificou que o Rioprevidência realizou aportes considerados suspeitos em Letras Financeiras de banco privado, totalizando aproximadamente R$ 970 milhões. Estes investimentos ocorreram em um período específico, entre outubro de 2023 e julho de 2024. A natureza suspeita desses aportes gerou a necessidade de aprofundamento nas investigações.
A partir de julho de 2024, o Rioprevidência teria expandido seus investimentos, aplicando mais R$ 2,01 bilhões em fundos de investimentos do Banco Master. Somados aos valores identificados anteriormente, o montante total aplicado no banco chega aos R$ 3 bilhões. A conexão entre as duas operações é crucial para entender a evolução das suspeitas e a crescente preocupação com a segurança e a lisura dos investimentos realizados com dinheiro público.
O Mecanismo de Inflar Ativos: Como o Banco Master Poderia Enganar Investidores
Uma das principais linhas de investigação da Polícia Federal contra o Banco Master, e que motivou a ação desta terça-feira (26), reside na suspeita de que a instituição financeira teria inflado artificialmente o valor de seus ativos. Essa prática, se comprovada, teria como objetivo transmitir uma imagem de maior solidez e saúde financeira do que a real, atraindo assim investimentos de fundos públicos e investidores privados.
O mecanismo em apuração envolve o registro de ativos de difícil recebimento ou com altíssimo risco por valores superiores aos que eles realmente valeriam no mercado. Em termos práticos, isso significa que títulos de dívida de empresas com dificuldades financeiras, ou outros ativos de alta volatilidade e baixo valor intrínseco, poderiam estar sendo contabilizados por um preço muito maior. Essa distorção contábil visa mascarar a fragilidade financeira do banco.
Ao apresentar um balanço financeiro com ativos supervalorizados, o Banco Master criaria uma falsa percepção de segurança e rentabilidade. Investidores, incluindo fundos de pensão como o Rioprevidência, poderiam ser levados a acreditar que estavam aplicando seus recursos em uma instituição robusta e confiável. A PF busca evidências concretas dessa prática para comprovar a fraude e identificar os responsáveis pela manipulação contábil e financeira.
Mandados no Distrito Federal: O que se sabe até agora
Enquanto as ações no Rio de Janeiro concentraram-se em alvos de grande repercussão, como o ex-governador Cláudio Castro, a Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensão no Distrito Federal. No entanto, até o momento, não há informações detalhadas sobre quais foram os alvos específicos dessas diligências na capital federal.
A presença de alvos no Distrito Federal sugere que as ramificações do esquema financeiro envolvendo o Banco Master podem se estender para além do Rio de Janeiro. É possível que haja envolvimento de outras instituições financeiras, intermediários, operadores financeiros ou até mesmo órgãos públicos sediados em Brasília que possam ter tido alguma relação com as operações investigadas.
A CNN entrou em contato com a Polícia Federal para obter mais informações sobre os desdobramentos no Distrito Federal e aguarda um retorno oficial. A expectativa é que, nas próximas horas ou dias, mais detalhes sobre esses alvos e as razões de sua inclusão na investigação venham a público, contribuindo para um panorama mais completo do esquema.
Próximos Passos e Implicações da Investigação
A oitava fase da Operação Compliance Zero marca um momento crucial nas investigações sobre o Banco Master e suas supostas práticas financeiras ilícitas. Com o cumprimento de mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, a Polícia Federal demonstra a intenção de aprofundar a coleta de provas e identificar todos os envolvidos no esquema.
As implicações desta operação são significativas, especialmente para o Rioprevidência e seus beneficiários. A recuperação dos valores possivelmente desviados ou perdidos em aplicações irregulares será um dos focos da investigação. Além disso, a responsabilização criminal dos envolvidos, caso as suspeitas se confirmem, poderá ter um efeito dissuasório para futuras práticas fraudulentas no mercado financeiro e na gestão de recursos públicos.
A expectativa é que novas informações surjam com a análise do material apreendido, que poderá incluir documentos, dispositivos eletrônicos e outros elementos relevantes para a elucidação dos fatos. A transparência e a agilidade na divulgação de informações por parte das autoridades competentes serão fundamentais para manter a confiança pública e esclarecer a sociedade sobre a seriedade das investigações em curso.