Candidatos à Presidência Detalham Propostas para o Agronegócio Nacional
A produção agropecuária brasileira, pilar da economia e da segurança alimentar do país, está no centro das atenções dos presidenciáveis. Os planos de governo protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam um consenso entre os principais candidatos sobre a importância estratégica do setor e a necessidade de investimentos em áreas cruciais como produção de fertilizantes, infraestrutura logística, biocombustíveis e inovação tecnológica.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) dedicaram capítulos específicos em suas plataformas à agricultura, demonstrando a relevância do agronegócio para a soberania nacional, a imagem internacional do Brasil e o Produto Interno Bruto (PIB). As propostas visam não apenas fortalecer o setor, mas também mitigar vulnerabilidades e impulsionar o desenvolvimento sustentável.
Um ponto de convergência notável é a busca pela redução da dependência externa de insumos, especialmente fertilizantes, e a expansão da infraestrutura de escoamento e armazenamento. Além disso, o protagonismo brasileiro no mercado de biocombustíveis e a transição energética, assim como a modernização e conectividade do campo, figuram como prioridades em quase todas as plataformas. As informações foram compiladas a partir dos planos de governo apresentados pelos candidatos.
Investimento em Fertilizantes Nacionais e Redução da Dependência Externa
A produção nacional de fertilizantes emerge como um tema transversal e de alta prioridade nos planos de governo. A dependência do Brasil em relação a insumos importados, especialmente da Rússia e da China, expõe o setor a flutuações de preços e a riscos geopolíticos. Os candidatos propõem estratégias diversas para mitigar essa vulnerabilidade, que vão desde o incentivo à produção local até a diversificação de mercados importadores.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende o aumento de investimentos na produção nacional de fertilizantes como uma estratégia chave para fortalecer o setor. Sua proposta alinha-se à necessidade de garantir maior autonomia e previsibilidade para os produtores brasileiros, reduzindo a exposição a choques externos. A meta é consolidar o Brasil como um player independente no suprimento desses insumos essenciais.
Flávio Bolsonaro (PL) também prioriza o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes, visando reduzir a necessidade de importação. Sua plataforma enfatiza a soberania nacional como um fator determinante para a estabilidade e o crescimento do agronegócio, garantindo que o país não fique refém de fornecedores estrangeiros.
Ronaldo Caiado (PSD), com sua experiência no setor, defende a redução da dependência externa de fertilizantes, propondo medidas que incentivem a indústria nacional. Ele também aponta para a importância de diversificar os parceiros comerciais para garantir o suprimento, utilizando a sustentabilidade do agro brasileiro como um diferencial competitivo no mercado internacional.
Romeu Zema (Novo) propõe a diversificação das importações de fertilizantes, ao mesmo tempo em que aumenta os investimentos na produção nacional. Sua visão busca um equilíbrio entre a garantia de suprimento e o desenvolvimento da indústria interna, com foco na eficiência e na redução de custos para o produtor.
Renan Santos (Missão) vai além, propondo a execução e ampliação do Plano Nacional de Fertilizantes. Ele sugere o aumento da exploração de minerais estratégicos para a produção desses insumos dentro do Brasil, incluindo a possibilidade de alterações na legislação para operações em terras indígenas, visando a soberania nacional em fertilizantes.
Expansão da Infraestrutura: Armazenagem, Irrigação e Escoamento da Safra
A infraestrutura logística e produtiva do agronegócio brasileiro é outro ponto de convergência entre os candidatos. A falta de capacidade de armazenagem adequada, gargalos na irrigação e as dificuldades no escoamento da safra para os mercados consumidores e portos são desafios históricos que limitam o potencial produtivo e aumentam os custos para os produtores.
Lula (PT) prevê a reformulação do Plano Safra para um modelo plurianual, com foco em tecnologias que aumentem a produtividade, incluindo maquinário e irrigação. A melhoria da infraestrutura do campo é vista como essencial para o desenvolvimento, especialmente para a agricultura familiar.
Flávio Bolsonaro (PL) lista como prioridades a ampliação do seguro rural, investimentos em irrigação e armazenagem. A modernização do campo passa pela melhoria da infraestrutura física e tecnológica, garantindo que a produção seja protegida e que os custos logísticos sejam reduzidos.
Ronaldo Caiado (PSD) defende a reformulação do Plano Safra em um projeto plurianual com linhas focadas em aportes na infraestrutura, especialmente irrigação e armazenagem. A expansão e modernização dessas áreas são cruciais para aumentar a competitividade do agro brasileiro.
Romeu Zema (Novo) propõe a melhoria na logística de escoamento das safras e a redução de entraves ligados ao licenciamento ambiental, que muitas vezes atrasam obras de infraestrutura. O objetivo é eliminar barreiras estatais que freiam a expansão do setor.
Renan Santos (Missão), embora não detalhe especificamente a infraestrutura, foca na agregação de valor às cadeias produtivas, o que indiretamente demandará melhorias logísticas e de armazenamento para otimizar a produção e a exportação.
Protagonismo em Biocombustíveis e Transição Energética
O Brasil possui uma posição de destaque global na produção de biocombustíveis, especialmente o etanol. Os presidenciáveis reconhecem o potencial do país nesse mercado e a importância da transição energética para um futuro mais sustentável, propondo a ampliação dos investimentos e o fortalecimento dessa cadeia produtiva.
Lula (PT) aposta em mais investimentos em biocombustíveis como uma estratégia para fortalecer o setor agropecuário e impulsionar a economia. A visão é consolidar o Brasil como líder mundial em energia limpa e renovável, aproveitando o potencial agrícola do país.
Flávio Bolsonaro (PL) é a favor do aumento de investimentos na produção de biocombustíveis, com o objetivo de posicionar o Brasil como protagonista global nesse mercado. A energia limpa é vista como um diferencial competitivo e uma oportunidade de crescimento econômico.
Ronaldo Caiado (PSD) aposta no protagonismo brasileiro no mercado bioenergético, reconhecendo a importância estratégica dessa área para o desenvolvimento sustentável e a economia do país. A expansão e inovação em biocombustíveis são vistas como um caminho para o futuro.
Romeu Zema (Novo), embora com foco na redução de barreiras estatais, implicitamente apoia o desenvolvimento de setores inovadores como os biocombustíveis, que podem ser impulsionados pela desburocratização e pelo livre mercado.
Renan Santos (Missão), ao propor o alinhamento da produção agropecuária com inteligência artificial e tecnologias de ponta, abre espaço para o desenvolvimento de novas tecnologias em biocombustíveis e outras áreas de energia limpa, integrando o agro a um futuro mais tecnológico e sustentável.
Inovação Tecnológica, Conectividade e Modernização do Campo
A incorporação de novas tecnologias, a garantia de conectividade no ambiente rural e a modernização das práticas agrícolas são vistas como essenciais para aumentar a produtividade, a eficiência e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. Os candidatos propõem diferentes caminhos para alcançar esses objetivos.
Lula (PT) defende a modernização do seguro rural alinhada à sustentabilidade e a aposta em mais investimentos em tecnologia e conectividade. O objetivo é garantir que o produtor tenha acesso às ferramentas necessárias para enfrentar os desafios climáticos e aumentar sua competitividade.
Flávio Bolsonaro (PL) defende a ampliação dos aportes na Embrapa e na conectividade rural. A modernização do campo passa pela pesquisa, desenvolvimento e pela garantia de acesso à informação e à comunicação para todos os produtores.
Ronaldo Caiado (PSD) propõe o aumento da conectividade no campo, investimentos em tecnologia e inovação. Ele também foca no reforço da produtividade em áreas já consolidadas, indicando uma estratégia de otimização dos recursos existentes com o auxílio da tecnologia.
Romeu Zema (Novo) aposta em investimentos em tecnologia e assistência técnica. Seu plano busca eliminar entraves burocráticos que dificultam a adoção de novas práticas e o acesso a tecnologias que podem transformar a produção rural.
Renan Santos (Missão) tem como um de seus motes a agregação de valor através da inteligência artificial e tecnologias de ponta. Ele propõe que a produção agropecuária seja alinhada a essas inovações, visando um salto de produtividade e eficiência.
Fortalecimento da Agricultura Familiar e Regularização Fundiária
A agricultura familiar, responsável por uma parcela significativa da produção de alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, é um foco especial para alguns candidatos, que a veem como um pilar da segurança alimentar e do desenvolvimento social do país.
Lula (PT), em sua busca pelo quarto mandato, tem como prioridade o fortalecimento da agricultura familiar, um de seus motes históricos. Ele defende a ampliação da reforma agrária alinhada à regularização fundiária, buscando garantir terra e infraestrutura para esses produtores.
Flávio Bolsonaro (PL) aposta na regularização e titulação do pequeno produtor, além de consolidar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como ferramenta de conservação. Seu foco é garantir segurança jurídica e acesso à terra para os agricultores menores.
Romeu Zema (Novo) também aborda a regularização de títulos rurais e o combate à grilagem e ao crime organizado como formas de proteger a propriedade rural, o que beneficia também os pequenos produtores ao garantir a segurança de suas terras.
Renan Santos (Missão) propõe auditar a produtividade dos hectares destinados à reforma agrária, buscando otimizar o uso da terra e garantir que os benefícios cheguem efetivamente aos agricultores. Ele também foca no combate a invasões de propriedades rurais.
Mercado de Capitais e Financiamento para o Agro
A captação de recursos por meio do mercado financeiro é vista como uma alternativa e um complemento ao financiamento público, especialmente para a expansão e modernização do setor. Alguns candidatos propõem mecanismos para facilitar o acesso a crédito e investimento.
Ronaldo Caiado (PSD), com fortes ligações com o setor, aposta na consolidação do agronegócio no mercado de capitais. Ele propõe mais espaço para Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) e debêntures como fontes de financiamento, buscando diversificar as opções para os produtores.
Renan Santos (Missão) defende a criação de linhas de crédito condicionadas a metas produtivas e de exportação, ligando o financiamento ao desempenho e à competitividade do setor.
Sustentabilidade e Imagem Internacional do Agro
A preocupação com a sustentabilidade ambiental e a imagem do agronegócio brasileiro no exterior são fatores que permeiam as propostas. Os candidatos buscam associar o desenvolvimento do setor a práticas responsáveis e à preservação ambiental.
Lula (PT) propõe a modernização do seguro rural alinhada à sustentabilidade como forma de mitigar impactos climáticos e ambientais. A boa imagem internacional do agro é vista como um trunfo para agregar novos parceiros comerciais.
Ronaldo Caiado (PSD) utiliza a sustentabilidade do agro brasileiro como uma bandeira internacional, buscando abrir mercados e diversificar parceiros comerciais. Ele também foca no protagonismo bioenergético e na redução da dependência de fertilizantes.
Flávio Bolsonaro (PL) defende a consolidação do CAR como ferramenta de conservação e restauração ambiental, integrando as preocupações ambientais às práticas agrícolas.
Romeu Zema (Novo) busca a redução de entraves ligados ao licenciamento ambiental, o que pode facilitar a adoção de práticas mais sustentáveis quando acompanhadas de segurança jurídica e eficiência.
Modernização Jurídica e Combate a Crimes no Campo
A segurança jurídica no campo e o combate a atividades ilícitas como grilagem e invasões de terra são pontos importantes para garantir a estabilidade e o desenvolvimento do agronegócio.
Flávio Bolsonaro (PL) aposta na regularização e titulação do pequeno produtor, além de consolidar o CAR. Ele busca garantir segurança jurídica e ambiental.
Romeu Zema (Novo) defende a regularização de títulos rurais e o combate à grilagem e ao crime organizado como formas de proteger a propriedade rural, buscando eliminar barreiras estatais e garantir a ordem.
Renan Santos (Missão) destaca a proposta de combater invasões de propriedades rurais para restaurar a segurança jurídica no campo, mostrando um compromisso com a ordem e a proteção da propriedade privada.
Inovação na Narrativa e Educação do Setor
Para além das questões produtivas e econômicas, alguns candidatos propõem uma reflexão sobre a imagem e a valorização do agronegócio na sociedade.
Renan Santos (Missão) defende uma reformulação da narrativa cultural do setor para promover maior valorização do agro pelas novas gerações. A ideia é integrar a importância do campo à educação e à percepção pública, mostrando o papel vital do agronegócio para o país.