Renan Santos oficializa candidatura presidencial pelo Missão em meio a um cenário eleitoral em formação para 2026
Renan Santos, uma das figuras proeminentes do Movimento Brasil Livre (MBL), deu um passo significativo em sua trajetória política ao oficializar sua candidatura à Presidência da República pelo partido Missão. A convenção partidária, realizada de forma online e sem transmissão ao vivo, marcou o início formal de sua jornada rumo ao Palácio do Planalto em 2026. Até o momento, Santos é o único a ter sua candidatura confirmada, embora o prazo para as convenções partidárias se estenda até 5 de agosto, permitindo que outros nomes surjam.
O cenário político para 2026 já apresenta outros pré-candidatos com forte apelo, incluindo o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca um quarto mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal nome da oposição e representante da família Bolsonaro na disputa. As estimativas de intenção de voto, como as compiladas pelo Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, indicam uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o atual presidente ligeiramente à frente em simulações de primeiro e segundo turno.
Além desses nomes consolidados, outros pré-candidatos, como os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), além do psiquiatra Augusto Cury (Avante), já manifestaram suas intenções. Contudo, o quadro político é dinâmico, e o prazo final para o registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 15 de agosto, pode trazer novas definições, com possíveis desistências ou o surgimento de novos concorrentes. As eleições gerais estão marcadas para 4 de outubro, com o segundo turno, se necessário, em 25 de outubro.
Lula busca o quarto mandato presidencial com Alckmin como vice
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos 80 anos, sinaliza sua intenção de concorrer a um quarto mandato presidencial, o que o tornaria o primeiro presidente eleito quatro vezes no Brasil. Inicialmente, em 2022, Lula havia declarado que seria um presidente de “um mandato só”, mas suas declarações posteriores, inclusive em eventos internacionais, confirmaram sua disposição em disputar novamente. Caso se concretize, esta será sua sétima eleição presidencial, tornando-o o candidato mais velho a pleitear o cargo.
Para esta nova empreitada, Lula terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como seu vice. A confirmação da chapa ocorreu no final de março, após a saída de 14 ministros do governo para se candidatarem a outros cargos eletivos. A legislação eleitoral exige que ocupantes de cargos no Executivo deixem suas funções seis meses antes do pleito, com exceção dos cargos de presidente e vice-presidente. Alckmin, que também chefia o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), foi exonerado do cargo dias após o anúncio, cumprindo os prazos legais.
Flávio Bolsonaro emerge como principal nome da oposição em 2026
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro consolida-se como o principal nome da oposição para as eleições presidenciais de 2026. Sua trajetória política iniciou-se em 2002 como deputado estadual no Rio de Janeiro, onde cumpriu quatro mandatos antes de ser eleito senador em 2018, sendo reeleito em 2022. A sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto foi anunciada em dezembro de 2025, após ser escolhido pelo pai para representar o PL na disputa.
A decisão foi oficializada em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e encerrou semanas de articulações e divergências internas sobre quem lideraria a direita bolsonarista. Flávio Bolsonaro tem aparecido consistentemente em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, chegando a ultrapassar Lula em algumas divulgações mais antigas. No entanto, pesquisas mais recentes indicaram uma queda em seu desempenho, possivelmente influenciada pela divulgação de reportagens sobre pedidos de recursos para financiar um filme sobre seu pai.
Ronaldo Caiado mira a Presidência pelo PSD com promessa de pacificação
O PSD lançou o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência em março deste ano. A oficialização ocorreu em São Paulo, com o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, anunciando que será o vice na chapa. Durante o evento, Caiado criticou o PT e defendeu a pacificação do país através de uma anistia “ampla, geral e irrestrita”, incluindo o ex-presidente.
“O desafio não é ganhar eleição do PT apenas. Isso é fácil: no segundo ele estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país”, afirmou Caiado, expressando seu objetivo de “cuidar das pessoas” a partir de um processo de reconciliação nacional. Ele renunciou ao governo de Goiás em 31 de março para se dedicar à campanha presidencial. Caiado foi escolhido pelo PSD após disputar internamente a vaga com os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), que desistiu da disputa.
Eduardo Leite, por sua vez, expressou descontentamento com a escolha, declarando-se “desencantado” com a decisão da sigla, que, em sua visão, mantinha a “radicalização polarizada” no Brasil. Caiado, com mais de três décadas de experiência política, já havia lançado pré-candidatura em 2025 pelo União Brasil, mas se desfilou do partido após pressões internas. Ele se filiou ao PSD em janeiro. Apesar de ter apoiado Bolsonaro em 2018 e 2022, Caiado se distanciou do bolsonarismo durante a pandemia e repudiou os atos de 8 de janeiro. Representante do agronegócio, ele aparece com 2,7% das intenções de voto em pesquisas recentes. Sua primeira disputa presidencial foi em 1989, onde obteve menos de 1% dos votos.
Romeu Zema, do Novo, busca capitalizar sobre o eleitorado de direita
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou sua pré-candidatura à Presidência em agosto do ano passado, com a promessa de “varrer o PT do mapa”. Zema admitiu afinidade com propostas do ex-presidente Jair Bolsonaro, embora não tenha certeza de seu apoio. Ele declarou apoio a Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022. Empresário com atuação no Grupo Zema, ele se tornou o primeiro governador eleito pelo partido Novo em 2018, sendo reeleito em 2022.
Zema renunciou ao governo de Minas em 22 de março para se candidatar. O Novo já lançou outros candidatos à Presidência: João Amoêdo em 2018, que obteve 2,5% dos votos, e Felipe D’Ávila em 2022, com 0,47%.
Renan Santos e a gênese do Missão: do MBL ao projeto presidencial
Renan Santos, cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL), tem uma trajetória marcada pela organização de manifestações, como as que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff. Junto com Kim Kataguiri, ele ganhou projeção nacional pela atuação nas ruas e nas redes sociais. O MBL apoiou Bolsonaro em 2018 e defendeu o voto nulo em 2022. Kataguiri já declarou que o apoio a Bolsonaro em 2026 está “fora de cogitação” e que Santos seria o representante do movimento.
O partido Missão foi criado por integrantes do próprio MBL, com o objetivo de abrigar candidaturas alinhadas ao movimento. A oficialização da candidatura de Renan Santos pelo novo partido sinaliza uma estratégia de consolidação política e busca por um espaço próprio no espectro eleitoral.
Outros pré-candidatos e o cenário em formação
O cenário eleitoral de 2026 conta ainda com outros nomes que buscam espaço. Samara Martins foi lançada pelo Partido Unidade Popular (UP), Hertz Dias pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), e Edmilson Costa pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). O psiquiatra Augusto Cury se filiou ao Avante e também figura como pré-candidato, buscando romper com a polarização. Cabo Daciolo, ex-deputado federal, anunciou sua pré-candidatura pelo Mobiliza, buscando uma nova chance no Palácio do Planalto após sua participação em 2018. Rui Costa Pimenta, presidente do PCO e jornalista, também lançou sua pré-candidatura, marcando sua quinta disputa presidencial.
Apesar de Renan Santos ser o primeiro a oficializar sua candidatura, o prazo para convenções partidárias se estende até 5 de agosto, e o registro final de candidaturas no TSE ocorre em 15 de agosto. Este período é crucial para a definição final do quadro de postulantes à Presidência da República, com a possibilidade de novas alianças, desistências e o surgimento de candidaturas de última hora. O cenário atual, embora já com nomes de peso definidos, permanece em constante evolução.