Escândalo do Banco Master: Novas Mensagens de Vorcaro Expõem Conexões com Poderosos

O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master ganhou novos contornos com a divulgação pela Polícia Federal de mais mensagens extraídas do celular do banqueiro. As revelações aprofundam o conhecimento sobre a relação entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes, e trazem à tona nomes como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Fabio Faria, ex-ministro de Comunicações, também surge como peça-chave na intermediação entre Vorcaro e Moraes, conforme detalhado em reportagem.

A maioria dos envolvidos no caso, segundo as investigações, possui ligações com contratos milionários, consultorias, lobby ou relações de negócios e poder com o banqueiro. A lista de personalidades citadas em mensagens e relatórios policiais cresce, detalhando uma complexa teia de influências e interesses.

As novas informações divulgadas pela PF pintam um quadro cada vez mais intrincado das relações de Daniel Vorcaro com figuras de alta relevância no cenário político e jurídico brasileiro. A análise dessas mensagens, que ocorreram nos dias que antecederam a prisão do banqueiro, lança luz sobre as tentativas de interferência em investigações e a busca por proteção junto a autoridades.

Alexandre de Moraes: Proximidade e Contrato Bilionário em Destaque

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, figura central nas novas revelações, teve sua relação com Daniel Vorcaro detalhada por meio de mensagens e documentos apreendidos. Um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, já havia sido apontado como um ponto de conexão. Moraes negou ter discutido assuntos do banco com o Banco Central, e um pedido de investigação contra o casal foi arquivado pela PGR.

No entanto, os relatórios da PF sobre o celular de Vorcaro indicam uma relação de proximidade que se estende além do contrato. Mensagens revelam pelo menos seis encontros entre o banqueiro e o ministro, com a intermediação inicial de Fábio Faria. Em uma comunicação datada de novembro de 2025, poucos dias antes de sua prisão, Vorcaro questiona Moraes sobre a necessidade de se afastar, perguntando: “Acha que segunda tenho que estar fora?”.

O banqueiro também teria solicitado a Moraes que acionasse o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, na tentativa de evitar medidas que pudessem levar o banco à falência. A perícia identificou metadados de um contrato bilionário com a marcação “Ministro Alexandre de Moraes” como o usuário responsável pela última modificação. Uma segunda minuta, de R$ 50 milhões, que previa formas de pagamento como cotas de jatinho e helicóptero, não foi aceita nem assinada pelo escritório de Viviane Barci.

Além disso, Moraes é apontado como participante na organização do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo Master em Londres, com sugestões e vetos a convidados. A PF também investiga ofertas de serviços e benefícios de luxo por parte de Vorcaro a Moraes e seus familiares, sobre as quais o ministro não se manifestou.

Paulo Gonet e Andrei Rodrigues: Na Mira das Tentativas de Intervenção

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, surgem nas mensagens como alvos de pedidos de interferência por parte de Daniel Vorcaro. Em comunicações com Alexandre de Moraes, o banqueiro solicitou que o ministro reforçasse o contato com “Andrei e Paulo” para evitar ações de delegados que pudessem prejudicar o Banco Master. Não há indícios de que Rodrigues ou Gonet tenham atendido a esses pedidos.

A relação de Rodrigues com o universo de Vorcaro não se limita a este episódio. Em abril de 2024, o diretor-geral da PF participou do Fórum Jurídico Brasil de Ideias em Londres, com hospedagem, alimentação e locomoção custeadas pelos organizadores, que incluíam o Master. Rodrigues também esteve presente em uma degustação de uísque oferecida por Vorcaro, evento que contou com a presença de Moraes, Gonet e outras autoridades, e cujo custo foi de aproximadamente US$ 640 mil. A PF ressalta que Rodrigues não recebeu remuneração ou benefícios diretos dos organizadores.

Fábio Faria: O Intermediário Estratégico nas Relações de Vorcaro

Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações e genro de Silvio Santos, desempenhou um papel crucial como intermediário entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. As mensagens revelam que Faria articulou os primeiros encontros entre os dois em dezembro de 2023, informando Vorcaro sobre a receptividade de Moraes e, posteriormente, repassando o contato do ministro ao banqueiro. Ele também organizou um almoço entre eles em Campos do Jordão.

Em janeiro de 2024, Faria esteve envolvido nas negociações do contrato entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. Em março, cobrou Vorcaro sobre um pagamento, referindo-se a Moraes como “o careca”. Faria também participou das tratativas para o Fórum Jurídico Brasil de Ideias em Londres e intermediou uma negociação para a compra de um projeto eólico ligado à sua família por uma empresa de Vorcaro, no valor de R$ 67,5 milhões. Mensagens sugerem ainda que Faria aproximou Vorcaro de Dias Toffoli.

Faria confirmou ter recomendado o escritório de Viviane Barci a Vorcaro, mas negou participação em reuniões posteriores ou conhecimento dos valores contratuais, assim como a intermediação em processos judiciais.

ACM Neto e Antonio Rueda: Conexões Políticas e Contratos de Consultoria

ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, aparece no caso após relatórios do Coaf apontarem repasses de R$ 3,6 milhões à sua empresa de consultoria entre 2023 e 2024, provenientes do Master e da gestora Reag. Mensagens de Vorcaro citam um encontro entre os dois na casa do banqueiro. ACM Neto confirmou os pagamentos e reuniões, afirmando que os contratos eram legais e que prestou serviços de análise política e econômica.

Antonio Rueda, advogado e presidente do União Brasil, também teve seus escritórios ligados a repasses do Master, totalizando R$ 6,4 milhões. Inicialmente, Rueda descreveu sua relação com Vorcaro como apenas “social”, mas depois reconheceu a prestação de serviços jurídicos ao grupo do banqueiro. Relatórios o indicam nos bastidores de negociações para a venda do banco ao BRB e, em maio, ele teria alertado Ciro Nogueira sobre o monitoramento governamental da crise do Master.

Ciro Nogueira e o Congresso: Suspeitas de Interesses Parlamentares

Ciro Nogueira, influente nome do “centrão”, é um dos alvos da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal suspeita que ele tenha recebido entre R$ 300 mil e R$ 500 mil mensais, via empresa CNLF, em troca de atuar em favor dos interesses do Banco Master no Congresso. Uma das articulações investigadas é a “Emenda Master”, que visava aumentar a proteção a investidores em caso de quebra de bancos.

Em maio, buscas foram autorizadas em endereços ligados ao senador. Ciro Nogueira admite conhecer Vorcaro, mas nega irregularidades e alega ser vítima de perseguição política.

Claudio Castro e Davi Alcolumbre: Investimentos Públicos e Pressões no Senado

O ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, é investigado por aplicações bilionárias de recursos públicos do estado no Master, especialmente através do Rioprevidência, com cerca de R$ 3,7 bilhões investidos em produtos ligados ao grupo de Vorcaro. A Polícia Federal deflagrou fases da Operação Compliance Zero contra o político.

Davi Alcolumbre, presidente do Senado, enfrenta desgastes relacionados ao caso. A Amprev, fundo de previdência dos servidores do Amapá, aplicou cerca de R$ 400 milhões em letras do banco em menos de 20 dias, em uma operação que passou por um aliado político de Alcolumbre e teve seu irmão no conselho fiscal da entidade. Além disso, Alcolumbre se recusou por dois dias consecutivos a ler pedidos de criação da CPMI do Banco Master no plenário.

Dias Toffoli: Da Relatoria à Suspeição no STF

O ministro do STF Dias Toffoli, que inicialmente relatou as investigações do caso Master na Corte, acabou entrando na linha de apuração após surgirem indícios de sua proximidade com o entorno de Daniel Vorcaro. Mensagens no celular do banqueiro mencionavam Toffoli, e a PF apontou conexões indiretas envolvendo negócios da família do ministro com um fundo ligado ao grupo investigado.

Toffoli admitiu ter sido sócio da empresa Maridt, que vendeu sua participação em um resort a um fundo ligado ao Banco Master. Diante da repercussão, o ministro deixou a relatoria do inquérito em fevereiro e, um mês depois, declarou-se suspeito para atuar em qualquer desdobramento do caso, incluindo pedidos de CPI.

Outros Nomes em Evidência: De Ex-Ministros a Parlamentares

O escândalo do Banco Master envolve uma vasta gama de figuras públicas. André Mendonça, ministro do STF, teve um encontro com Vorcaro articulado por advogados ligados ao banco. Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, foi contratado pelo Master para articular a venda do banco ao BRB. Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, integrou o comitê consultivo do Master. Gilmar Mendes, decano do STF, foi convidado por Alexandre de Moraes para o Fórum Jurídico Brasil de Ideias, evento patrocinado pelo Master, e atuou como relator de um recurso do banco no STF.

Flávio Bolsonaro, senador, tratou diretamente com Vorcaro de repasses para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Nikolas Ferreira, deputado federal, utilizou o jatinho de Vorcaro em uma caravana política. Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania, assumiu cargos em empresas ligadas ao Master após deixar o governo. Ronaldo Caiado, senador, teve seu governo em Goiás sancionando alterações nas regras do consignado estadual após reuniões com representantes do banco. Romeu Zema, governador de Minas Gerais, viu o diretório estadual de seu partido receber doação do pai de Vorcaro, enquanto sua gestão editou normas que ampliaram o consignado. Rui Costa, ex-ministro-chefe da Casa Civil, assinou um decreto que restringia a portabilidade de empréstimos consignados de servidores baianos.

Na esfera parlamentar, Ciro Nogueira é suspeito de receber pagamentos mensais em troca de atuar em favor do banco no Congresso. Hugo Motta, presidente da Câmara, enfrenta acusações sobre uma emenda que beneficiaria empresas da família Vorcaro e empréstimos feitos a sua cunhada pelo Master. Flávia Péres (ex-Arruda), ex-ministra de Bolsonaro, teve sua ONG citada em repasses do banco, o que ela nega. Mario Frias, deputado federal e ex-secretário de Cultura, é produtor executivo de um filme financiado por Vorcaro, apesar de ter negado inicialmente.

Outros nomes incluem Ibaneis Rocha, ex-governador do DF, citado por Vorcaro como interlocutor na venda do Master ao BRB, e Jaques Wagner, senador, que indicou Ricardo Lewandowski como consultor do banco e teve a empresa de sua nora recebendo vultosos valores do Master. Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, reconheceu pagamentos do estado ao Master via Fundef. João Doria, ex-governador de SP, enviou uma mensagem de preocupação a Vorcaro. Kássio Nunes Marques, ministro do STF, tem seu filho envolvido em transações com consultoria ligada ao Master e viajou em jatinho bancado por advogada de processos do banco. Lula, presidente da República, recebeu Vorcaro em reunião fora da agenda oficial. Luiz Estevão, ex-senador, é dono do portal Metrópoles, que recebeu milhões do Master para publicidade. Michel Temer, ex-presidente, foi contratado pelo grupo de Vorcaro para tentar reverter o veto do Banco Central à venda do Master ao BRB.

A investigação sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master continua a desdobrar-se, revelando uma complexa rede de relacionamentos e interesses que alcança os mais altos escalões do poder no Brasil.

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